Imprensa precisa aprender forma correta de falar sobre suicídio, diz psicóloga

No Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio, bancada do Morning Show recebeu Karen Scavacini para falar sobre tema

  • Por Jovem Pan
  • 10/09/2019 12h13
DivulgaçãoPsicóloga Karen Scavacini conversou com a bancada do Morning Show sobre o assunto

Fábio Porchat, Ana Maria Braga, Evaristo Costa e outras figuras públicas deletaram suas contas no Instagram na segunda-feira (9) pra chamar atenção para o Setembro Amarelo, mês de ações em prol da vida que tem nesta terça-feira (10) a sua maior vitrine: o Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio.

A bancada do Morning Show recebeu a psicóloga Karen Scavacini para discutir alguns pontos ainda necessários sobre o tema e, entre eles, destacou o papel da imprensa na hora de informar corretamente os casos de suicídio.

“Não acho que a mídia deva se omitir em relação ao assunto, mas precisa aprender a forma correta de falar. Não romantizar o ato, não colocar uma causa única, não colocar, por exemplo, que agora a pessoa está em paz. Dependendo da forma como a mídia trata isso pode ter um impacto tanto positivo quanto negativo”, explicou.

Scavacini falou que isso está relacionado ao Efeito Wherter, quando um suicídio é noticiado de uma forma que faz o número de casos aumentar. No entanto, o Efeito Papageno é o oposto: abordar o assunto de forma educativa e aumentando a consciência da população sobre o assunto ajuda na redução dos suicídios.

Por isso a psicóloga vê como positiva a atual onda de debate sobre o assunto, inclusive na polêmica série “13 Reasons Why”.

“Precisamos entender que suicídio é multifatorial, nunca acontece por uma causa única. As pessoas tendem a tentar achar uma causa: porque perdeu emprego, terminou o namoro ou assistiu a uma série, mas as coisas não funcionam assim”, disse Scavacini.

“Com certeza o debate está mais acirrado hoje, as pessoas estão falando de suicídio de uma forma melhor, mas ainda ouvimos coisas como 90% dos casos podem ser prevenidos. Nós sabemos que tem prevenção, mas a gente não sabe exatamente qual a porcentagem. Quando falamos isso, damos culpa para aqueles que ficaram.”