Especialista minimiza vazamento de dados do Facebook: "não é novidade nenhuma"

  • Por Jovem Pan
  • 03/05/2018 11h34
Johnny Drum/Jovem PanEspecialista está lançando "O Livro Secreto das Redes Sociais"

Neste ano, o mundo descobriu que 87 milhões de usuários do Facebook tiveram seus dados pessoais vazados para a empresa de marketing político Cambridge Analytica. Entre eles, 443 mil brasileiros. O caso fez que com o criador da rede, Mark Zuckerberg, fosse intimado a depor no Congresso estado-unidense e culminou no encerramento das atividades da companhia. Além, é claro, de causar certo medo nos internautas. Juliano Kimura, especialista no universo digital, porém, não entrou nessa onda de “pânico”.

“Acho muito engraçado isso. Quando o Zuckerberg deu uma entrevista sobre os ‘danos severos’ que ele causou com o vazamento de dados, me peguei perguntando: mas que raios de ‘danos severos?’ Eu não sei. Alguém saiu muito prejudicado? As pessoas têm medo, mas não entendem nem do que. Sem contar que, quando você entrou, disse tudo que gostava e clicou no botão ‘Concordo’. Se não quer ter seus dados utilizados, não usa a plataforma. O Google, a Microsoft, o Windows. Todos têm até mais dados. As pessoas dizem ‘olha, usaram meus dados para campanhas de marketing’. Que surpresa! Não é novidade nenhuma. Isso é feito desde sempre”, declarou em entrevista ao Morning Show.

Na noite desta quinta-feira (3), Juliano lança O Livro Secreto das Redes Sociais na Livraria Cultura do Conjunto Nacional, em São Paulo. Na obra, foram incluídas experiências pessoais do autor, que inclusive já prestou serviços profissionais ao Facebook, e outras análises técnicas.

“Eu tento colocar uma série de ideias que, quando as pessoas usam as redes, não se atentam. Precisamos entender que a rede em si é só um código. O Facebook é um monte de linhas de programação. Quem define o valor do conteúdo são os usuários. Eu fico pirado quando falam que o Facebook fez alguma coisa ou decidiu um presidente [referência à eleição de Donald Trump]. Ele não decide nada! Quem decide são as pessoas. Milhões. Uma massa. Botam a culpa no Facebook e se isentam da responsabilidade sobre determinada informação”, afirmou.

Sobre outro tema em alta, a suposta “culpa” do Facebook na falta de controle sobre o que é relevante e o que não é, o especialista mais uma vez “amenizou” para o lado de Zuckerberg.

“Imagina quantas pessoas exatamente publicam conteúdo na web. Como alguém vai fazer uma curadoria? ‘Esse é bom, esse é ruim’. Isso não existe. Comprometeria até a performance do site. Não é possível tecnicamente. O que o Facebook pode é usar inteligência coletiva. Melhorar o algoritmo para que as pessoas denunciem se é falso”, concluiu.