“Impeachment não vai resolver todos os problemas”, diz cientista político Rafael Cortêz

  • Por Jovem Pan
  • 29/03/2016 12h01
Ana Cichon / Jovem Pan<p>Cientista político participou do programa nesta terça-feira (29)</p>

Em meio a acalorados acontecimentos políticos, principalmente com a batalha entre Governo e oposição, acerca dos pedidos de Impeachment que tramitam na Câmara, muito se discute sobre as consequências que um processo como este traria ao país.

“O problema da governabilidade foi afetado também por conta dessa grave crise econômica, com dois anos de recessão. É necessário a gente marcar que o Impeachment não vai resolver por si só todos os problemas do quadro político brasileiro. Tranquilidade não é bem o termo em um cenário tão conturbado, principalmente se a Lava Jato continuar trazendo essa ‘agenda negativa’ para o planalto. Negativa no sentido de não criar estabilidade, do ponto de vista político”, ressaltou Rafael Cortêz, doutor em Ciência Política pela USP, em entrevista ao Morning Show nesta terça-feira (29).

Mesmo assim, ele vê com bons olhos que a corrupção tenha finalmente virado pauta entre os diversos setores e que isso pode acarretar em um amadurecimento maior sobre o assunto.

“As pesquisas mais recentes tem mostrado como a corrupção é percebida como um dos maiores problemas do sistema político brasileiro. E o que eu acho mais interessante é o esgotamento no papel dos partidos nesse sentido, em ter que absorver temas que estão presente na sociedade e trazer para o Congresso, aumenta a percepção de representatividade, além da dinâmica parlamentar”, considerou.

Com um sistema complexo de acontecimentos, o cientista acredita que o processo de mudança ainda será lento e critica o financiamento privado das campanhas eleitorais.

“Sou contra o financiamento de empresa jurídica, porque ela não tem direito politico, a se candidatar ou votar, portanto não deveria exercer a cidadania. Estruturalmente, o problema que estamos tratando é em como proteger o estado brasileiro deste perverso de político querendo manter o poder, empresas tentando aproveitar e, claro, o enriquecimento ilícito. Politica é basicamente poder, de quem decide e quem ganha, isso naturalmente vai gerar incentivo para grupos tentarem influenciarem o processo”.

Manifestações de 2013

As “jornadas de junho”, como ficaram conhecidos os protestos que tomaram o Brasil, trouxeram em pauta, principalmente, a necessidade de uma reforma política, mas que no fim, acabou não saindo do papel.

“Qualquer reforma sempre vai ter um efeito limitado, o cobertor é curto nesse sentido. Em 2013 teve toda uma mobilização para a reforma politica, e o que saiu é frustrante, foi um grande emendo que ajudou a parlamentar a mudar de partido sem perder mandato. Política é feita por políticos que vão pensar em sua sobrevivência, daí a sociedade já tem que olhar com um grande pé atrás. Eu acho pouco provável que a gente tenha um cenário de calmaria em meio a este processo, Impeachment não é trivial, é um evento grande, mas acho que as perspectivas podem ser positivas”, completou.