Não leu os Termos de Uso do Pokémon GO? Saiba que ele pode ter acessado seu e-mail

  • Por Jovem Pan
  • 25/07/2018 11h40
Jovem PanProfessor da FGV esteve no programa para lançar o livro "A Internet das Coisas"

Lembra quando as pessoas caminhavam pela rua vidradas na tela de seus smartphones tentando “capturar” criaturas no jogo de realidade aumentada Pokémon GO? Você foi além, fez parte desse grupo e também se aventurou no game? Tudo bem. Mas saiba que a empresa dona do aplicativo pode ter acessado seu e-mail e feito postagens nas redes sociais em seu nome. Na verdade, ela até pediu sua permissão para isso. E você deu.

“Sempre que baixa um app, você tem que aceitar os Termos de Uso. Nele está escrito muitas vezes que você tem que entregar dados que não tem nada a ver com o serviço. No Pokémon GO, o contrato eletrônico que você clica em ‘Eu aceito’ sem ler tem escrito que a empresa poderia ter acesso a seu email e fazer postagens em seu nome (…). Tem vários apps que usamos hoje como transporte também que podem te monitorar o tempo todo, mesmo quando você não está usando”, explicou o coordenador do Instituto de Tecnologia e Sociedade do Rio de Janeiro e professor da Fundação Getúlio Vargas, Eduardo Magrani.

O especialista esteve no Morning Show nesta quarta-feira (25) para falar sobre o livro A Internet das Coisas que será lançado às 18h30 na Livraria Cultura do Conjunto Nacional em São Paulo. Na obra, ele explica o que é exatamente o conceito, dá dicas para o utilizarmos da melhor maneira possível e também alerta para os possíveis riscos.

“A internet das coisas diz respeito à comunicação constante entre máquinas e máquinas e os humanos. Esse contexto de interação prrofunda gera uma série de discussões sobre segurança, privacidade, ética. Pode parecer uma boa ideia conectar tudo à internet, mas às vezes não pensamos nos danos. O primeiro ponto é o quanto vale a pena adicionar mais camadas de tecnologia às coisas. Já vi, por exemplo, uma caixa de ovos inteligente que dizia quantos ovos faltavam. Vale? Será que não basta fazer uma simples lista de mercado? Agora, existe também um dispositivo que um idoso pode usar no coração que, em qualquer sinal de distúrbio, envia uma mensagem direta ao médico para acelerar o atendimento”, disse.

“A proposta do meu livro é fazer um balanço entre esse potencial positivo e os riscos. Mesmo nesse caso da saúde. Essa coisa conectada trata dos meus dados sensíveis então tenho que ter cuidado para que eles não sejam transferidos a outras empresas que podem me prejudicar. Imagina quanto um plano de saúde não estaria disposto a pagar por essas informações?”, detalhou.

Para que essas questões sejam superadas, o professor Magrani destacou dois trabalhos que precisam ser feitos. Em primeiro lugar, melhorar a nossa educação digital para que tenhamos a capacidade, por exemplo, de escolher quais configurações queremos em nossos próprios apps. Além disso, pressionar nossos representantes para avançar a legislação brasileira.

“Sempre que o app é gratuito o produto é você. O dado pessoal é o novo petróleo. As empresas têm vontade de coletar nossos dados a fim de comercializar e extrair valor deles. Precisamos que o direito avance para regular a proteção dos dados pessoais. Ainda não temos uma lei geral de proteção no Brasil para impedir os abusos das empresas. Temos o Marco Civil da internet, a Constituição Federal, o Código de Defesa do Consumidor, mas seria importante ter uma lei geral de proteção da privacidade”, concluiu.