Olivier Anquier diz que situação dos restaurantes durante a greve é "dramática"

  • Por Jovem Pan
  • 29/05/2018 11h48
Johnny Drum/Jovem PanCozinheiro esteve nos estúdios da Jovem Pan nesta terça-feira (29)

Chegando nesta terça-feira (29) ao oitavo dia, a greve dos caminhoneiros tem causado uma série de impactos no país. Com a paralisação dos caminhões, serviços essenciais estão com atrasos e estalebecimentos estão desabastecidos. Os restaurantes, por exemplo. Olivier Anquier, cozinheiro dono da rede L’Entrecôte d’Olivier, do Esther Rooftop e da padaria Mundo Pão, contou detalhes da situação em entrevista ao Morning Show.

“Não sou diferente de ninguém. Como cidadão ou empresário, é dramático. Como cidadão, temos o cotidiano afetado, o abastecimento do mínimo, hospital, etc. Graças a Deus em casa não tivemos necessidade de ir a um lugar como esse, seria complicado. Mas como empresário tem um peso a mais. Quando não estamos abastecidos, temos escassez de cliente. E enquanto isso as contas continuam. Não tem greve que pare as contas. Salário de funcionário, tudo que envolve um negócio, independente do universo em que atua. Até que meu estoque de farinha está ok por termos uma técnica de trabalho que nos faz ter um adianto. Mas não é só farinha, tem outros ingredientes. Já tem alguns que não consigo. Mas isso é o menos grave, o mais grave é o que vivemos no país, as consequências, o impacto disso”, declarou.

Mas se engana se você pensa que esse e outros problemas do país, como a violência, a crise política ou a falta de estabilidade econômica, o fazem repensar sua estadia. Para explicar, ele relembrou um pouco da sua história. O cozinheiro deixou a França para passar férias por aqui em 1979, aos 20 anos. O que era para ser uma rápida passagem, porém, virou uma reviravolta.

“Não fiquei aqui pela política ou pelas eventuais tristezas. Tristeza e desencanto tem em qualquer lugar. Nunca saí da França para fugir dela. Saí para passar férias aqui e o que encontrei me fez ficar.A praia? Não. Ela é maravilhosa, mas não. O que me fez ficar foi a maneira que os brasileiros têm de enxergar a vida e de se relacionar com a vida e o próximo. Um jeito diferente que você não encontra em nenhum outro lugar. Cheguei aqui aos 20 anos e me impactou muito. Era tão contrastante de tudo que eu já tinha vivido. Olhei e falei ‘gente, o quero da vida é isso’. Eu gosto de gente, gosto de me relacionar com as pessoas, gosto do positivismo independete da situação. O brasileiro sempre olha com certo bom humor. O conjunto de comportamento do brasileiro me fez ficar. O contorno político e econômico existe, mas não tira a alma, a essência do brasileiro. Nunca pensei em fugir e voltar para lá”, disse.

“Boom” de programas de culinária e saída do GNT

No início da carreira, Olivier nunca pensou que seria uma figura conhecida das telinhas. Seu despretencioso desejo era trazer para cá um pouco da culinária francesa, mais especificamente da panificação. Acontece que já com a primeira padaria começou a ganhar popularidade e passou ser convidado para alguns programas de TV. Fez uma participação em uma atração da Record, fechou contrato com a TV Globo para fazer reportagens durante a Copa do Mundo de 1998 e, em seguida, juntou ambas as experiências para finalmente criar o Diário do Olivier.

“Eu conhecia aqueles programas antigos, como o da Ofélia e tal. Achava muito chato. Eu pensava ‘porque eles não contam histórias, enriquecem os ingredientes, falam da origem do prato?’. Aí criei o Diário. Foi o primeiro programa moderno de culinária da TV brasileira – e genuinamente brasileiro. Aí não saí mais da TV. Saí só do GNT, mas foi pelas circunstâncias. Acabei de ter uma filha e não temos babá. É um momento muito rico que eu não queria desperdiçar. Abri no mesmo ano dois negócios no Centro então não podia viajar. E tem um pouco a ver com isso que vocês falaram [o boom dos programas do gênero]. Se há 20 anos fui inovador, hoje percebo que os programas estão voltando ao que eram naquela época da Ofélia. Ser mais um dentro daquilo pra que? É um conjunto de coisas, tudo decisão minha”, explicou.