Qualquer um que não fosse Aquarius seria criticado, diz diretor de filme brasileiro indicado ao Oscar

  • Por Jovem Pan
  • 28/11/2016 11h36
Johnny Drum/Jovem Pan

David Schurmann está em destaque após a comissão do Ministério da Cultura (MinC) escolher o filme “Pequeno Segredo” como candidato brasileiro ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro. Sabendo que a escolha não deve ter sido fácil por conta da grande campanha em cima de “Aquarius” para representar o país na maior premiação do cinema, o diretor elogiou a coragem dos responsáveis pela escolha, durante o Morning Show desta segunda-feira (28).

Schurmann fez questão de engrandecer o longa protagonizado por Sônia Braga, mas afirmou que a sua produção traz algo diferente do que vem sendo visto nos últimos anos.

“Acho que a comissão que votou foi feliz em escolher um filme diferente. Nosso filme é isso, tem uma cara e uma forma de comunicação diferente. Eles foram bem corajosos em mudar”, elogiou.

“Aquarius é muito bom. É um filme de arte maravilhoso. Ele tem uma característica diferente do meu. Cada filme tem a sua linguagem e acho que os críticos não estão acostumados com isso”, defendeu.

Essa relação com a crítica é algo que o diretor mostrou um pouco de ressentimento. Schurmann acredita que muitos críticos atacam o seu longa autobiográfico apenas por motivações políticas, já que “Aquarius” esteve envolvido nessa onda de manifestações sobre o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff.

“Teve um crítico que escreveu sobre o filme e sei que ele não assistiu ao filme. Fiquei muito decepcionado. Eles criticam os reacionários e eles se tornaram os reaças. Muita hipocrisia nisso. Não levo mágoa no coração, fico chocado com os humanos”, lamentou.

Apesar de ter sido o grande escolhido para representar o país no Oscar, “Pequeno Segredo” precisa agora se fazer visto para os membros da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood. Para ajudar, a Ancine disponibilizou R$ 197 mil para que David Schurmann e os envolvidos no projeto possam fazer com que o longa chegue entre os cinco finalistas na cerimônia.

“Estamos com uma campanha séria e fiel para chegar entre os cinco finalistas. Como o filme não é muito conhecido, o tapa é muito maior na cara. Eu estava em quatro sessões e todas elas o filme foi ovacionado. As pessoas saem chorando, mas o filme não é triste. Você sai do cinema pensando na sua vida”, disse.

“Nessa campanha e que temos o apoio da Ancine, que é fundamental para os cineastas. Existe gente séria e o Ministério da Cultura é bacana. Nós estamos nos preparando para ficar entre os nove e depois entre os cinco. Estamos com um estrategista para trabalhar a parte de divulgação, faz parte do negócio”, concluiu.