Thiaguinho esclarece polêmica: "nunca disse que mudei a história do samba"

  • Por Jovem Pan
  • 31/05/2016 12h07
Rafael Souto/Jovem Pan<p>Thiaguinho participou do programa Morning Show desta terça-feira, na Rádio Jovem Pan</p>

Em participação no programa Jovem Pan Morning Show desta terça-feira, Thiaguinho teve a oportunidade de esclarecer uma polêmica entrevista que concedeu ao site G1, há quatro anos, e que até hoje repercute dentro do samba. O cantor teria dito que mudou a história do samba – o que incomodou alguns músicos do gênero, inclusive Beth Carvalho e Martinho da Vila. Nesta terça-feira, contudo, o ex-vocalista do Exaltasamba classificou o fato como um “mal-entendido” e se explicou.

“Foi um mal-entendido gigantesco. Fico chateado até hoje, porque tiraram a minha frase de contexto. A pessoa que fazia a entrevista me perguntou como eu me sentia sendo uma referência para alguns jovens do samba. Eu disse que ficava muito honrado, porque tinha crescido querendo ser igual a muita gente. Aí, ela me perguntou se eu havia mudado o jeito de se fazer samba, e eu disse que sim, assim como vários outros cantores do gênero ao longo dos tempos. Nunca disse e nem diria na minha vida que tinha mudado a história do samba. Nunca seria arrogante a esse ponto”, afirmou Thiaguinho.

O que chegou aos ouvidos de muitos sambistas, contudo, foi que Thiaguinho disse que havia mudado a história do gênero. A frase, é claro, provocou a revolta de alguns músicos, como, por exemplo, Bethe Carvalho, que, em entrevista à revista Época no início deste ano, criticou o ex-vocalista do Exaltasamba. “Sem juízo de valores, mas o que ele e os chamados grupos de pagode cantam, pra mim, é uma outra música, não é samba”, afirmou, na ocasião.

Thiaguinho entende a declaração da sambista. “Chegou uma frase aos ouvidos da Beth, e ela respondeu daquela forma. E eu não tiro a razão dela. Talvez, se eu tivesse escutado aquilo, teria respondido da mesma forma”, admitiu, antes de brincar com as suas origens. “Eu sou do interior de São Paulo, de uma cidade chamada Presidente Prudente, mas cresci e fui criado no interior do Mato Grosso do Sul, divisa do Paraguai. Então, sou o pagodeiro mais paraguaio do Brasil”, sorriu.

E o cantor, que acaba de lançar o seu quinto álbum solo, “Vamo que Vamo”, ainda comentou sobre a polêmica diferenciação que muitas pessoas fazem entre samba e pagode. Thiaguinho prefere seguir outro caminho. “Até dentro do samba rola essa dúvida. Mas, como um pagodeiro sul-mato-grossense, de fora do eixo Rio-São Paulo, eu não faço essa diferenciação. Quanto menos divisões fizermos, melhor, porque, juntos, podemos espalhar muito mais”, encerrou.

Saída do Exaltasamba

“Não foi só eu que saí do Exaltasamba. O grupo parou. Em tudo na minha vida eu vou indo. A carreira solo surgiu. Nunca imaginei sequer entrar no Exalta. Pensava só em gravar um disco, mas aí surgiu a oportunidade de entrar no Exalta. Foi um desafio enorme e que acabou depois de nove anos vitoriosos, quando senti que a minha missão estava cumprida e que eu precisava de mais. Precisava de mais independência musical. Não que eu não tivesse lá, mas havia cinco pessoas na banda. É diferente de uma carreira solo. E foi a decisão mais acertada que tomei, porque continuamos muito amigos até hoje. Nossa relação fica melhor a cada ano, independente da banda.”

Um ano como apresentador do Música Boa Ao Vivo, do Multishow

“Foi um presentaço que recebi na minha vida, porque cantei com gente que nunca imaginei que cantaria. O programa mais desafiador foi um que fizemos só de rock, que tinha Detonautas, Raimundo e CPM 22. Todos são meus amigos, mas nunca havíamos cantado juntos. Subi ao palco com receio, não por eles, mas pela galera que foi curtir. Mas acabou sendo demais. No início, tinha uma galera meio desconfiada, mas no final recebi muitos elogios.”

Lei Rouanet

“Sou a favor desde que o dinheiro seja bem utilizado, destinado a artistas que realmente necessitam. Nunca usei, mas tem muita gente que precisa. A arte precisa ser incentivada.”

Morte de Mário Sérgio, vocalista do Fundo de Quintal

“Muito triste, mesmo, em todos os sentidos. Além de ser um grande cantor e compositor, o Mário era uma pessoa maravilhosa e um dos músicos que eu mais gostava de ouvir. Adoro as canções dele, principalmente as românticas. Nunca escondi a admiração que tenho por ele. Nós, inclusive, estávamos terminando uma música recentemente. Ainda vou terminar essa música com ele. Vai fazer muita falta, mas a arte dele é eterna”.