Campeões olímpicos, Erlon de Souza e Isaquias Queiroz relembram trajetória na canoagem

Atletas do ‘Time Brasil’ participaram do programa ‘Mulheres Positivas’ desta segunda-feira, 28, e falaram sobre sonhos, resiliência e apoio no esporte

  • Por Jovem Pan
  • 28/06/2021 19h58
EFEMedalhistas na Rio 2016, os dois contaram sobre as dificuldades que enfrentaram durante a carreira

O programa “Mulheres Positivas“, da Jovem Pan, trouxe nesta segunda-feira, 28, como convidados da apresentadora Fabi Saad, os campeões olímpicos na canoagem de velocidade Isaquias Queiroz, de 27 anos, e Erlon de Souza, de 29 anos. Os dois fazem parte de uma série de entrevistas em clima de Olimpíadas feitas em parceria com a TIM como aquecimento para os Jogos Olímpicos de Tóquio, que começam no mês de julho. Medalhistas na Rio 2016, os dois contaram sobre as dificuldades que enfrentaram durante a carreira. “No começo é sempre muito difícil porque para você viajar e ter apoio precisa mostrar resultado, infelizmente essa é uma realidade no nosso país. Isso foi uma barreira muito grande e a dificuldade que a gente tinha de ir para fora e mostrar aquilo que estávamos treinando dia a dia. Dentro dessa dificuldade vimos muitos amigos desistirem e eram pessoas talentosas, mas graças a Deus continuamos”, disse Erlon.

“Hoje posso colocar como o momento mais difícil a convocação da seleção brasileira em 2009, quando fomos para São Vicente, em São Paulo. Agora a Confederação de Canoagem tem uma visibilidade melhor, tem um apoio financeiro do COB maior. Mas pra gente naquela época não foi fácil. Saí com 15 anos de casa e lá passamos necessidade, fomos assaltados dentro da casa da seleção, sentia saudade da família e isso foi bem desgastante”, citou Isaquias. Parceiros na modalidade C-2 1000m, Erlon e Isaquias também lembraram das boas recordações. “Poder conquistar os Jogos Olímpicos e ver minha mãe ali foi demais. Em 2018, no mundial de Portugal, consegui ser tricampeão e ali foi o último campeonato que o nosso treinador Jesus Morlán estava com a gente, e foi um momento de felicidade”, relembrou Isaquias. “Em 2015 quando fomos campeões mundiais, colhemos grandes frutos e mostramos que o Brasil tinha talento. E em 2016 no Rio que conquistamos a prata. Foram momentos que eu nunca vou esquecer na minha vida”, emendou Erlon.

Mulheres por trás do sucesso

Primeiro atleta brasileiro a ganhar três medalhas na mesma edição dos Jogos Olímpicos, Isaquias credita seu sucesso à mãe, Dona Dilma. “Minha mãe criou dez filhos e nunca abaixou a cabeça pra nada. Ela não estudou, mas sempre teve orgulho do trabalho dela de faxineira na rodoviária de Ubaitaba e, por mais que às vezes pensem que eu e Erlon viemos de uma família humilde, nossas mães nunca deixaram a gente passar necessidade. Minha mãe sempre deu o que podia para nós. Quando eu falo que minha mãe brigava muito comigo era porque eu não era um santo, mas acho que hoje eu dou um orgulho pra ela do homem que eu me tornei. Então eu só tenho que agradecer a ela”, se declarou o atleta. Em casa, Erlon também tem o apoio das filhas que usam o mantra do ex-técnico para incentivar o pai nas competições. “O nosso técnico sempre falava ‘Siga remando’, então essa frase nos acompanha. Pela convivência, minhas filhas trouxeram isso para a nossa casa. Quando eu estou em algum campeonato elas sempre falam isso e acaba sendo uma inspiração para dar o melhor nas provas”, revelou.

Questionados sobre qual conselho dariam para os fãs e jovens praticantes de canoagem, os dois foram bem enfáticos. “Não desista dos seus sonhos! Eles nos acompanham, eles entendem qual o processo que passamos e o que fizemos para chegar até aqui. Tenham fé, a vitória está na persistência e um dia os sonhos vão virar realidade”, declarou Erlon. “Não vai ser fácil, qualquer criança que começa a praticar qualquer esporte não vai ser fácil no começo, mas a gente espera que as pessoas que estejam ensinando mostrem o caminho certo para elas, assim como os treinadores nos ensinaram. Persistir e treinar muito, precisa colocar na cabeça o ‘querer’ e se esforçar ao máximo. O esporte vale a pena”, finalizou Isaquias.