‘Entendo uma mulher que sofreu violência e não denunciou’, diz promotora Gabriela Manssur

Ao Mulheres Positivas, entrevistada defendeu rede de apoio para vítimas de violência: ‘Precisam de fortalecimento da autoestima para romper o silêncio’

  • Por Jovem Pan
  • 11/07/2022 15h00
Reprodução/Jovem Pan News gabriela manssur Gabriela Manssur foi a convidada do programa Mulheres Positivas

Nesta semana, o programa Mulheres Positivas recebeu a promotora de Justiça Gabriela Manssur. Em entrevista à Fabi Saad, ela explicou o que a motivou a seguir carreira na área do direito das mulheres. “Sempre quis ouvir a voz das mulheres que de alguma forma estavam sofrendo violência e discriminação, ajudá-las. Cresci com esse propósito. Esse lado de ser promotora me fez muitas vezes questionar o que era inquestionável e mostrar que precisamos lutar pelos direitos das mulheres de forma ativa. Indignação, amor e vontade é o que faz eu diariamente não desistir”, contou. Em uma família de profissionais do direito, como advogados, juízes e desembargadores, a convidada contou que parte do seu sonho partiu do convívio com pessoas próximas. “Esse DNA de justiça vem muito da minha família que é dedicada às carreiras políticas”, acrescentou.

Manssur defendeu o papel do incentivo e o apoio à denúncia no caso de vítimas de violência doméstica que não se sentem encorajadas para pôr fim aos crimes que sofrem. “Você luta pelo coletivo feminino, pelo número de mulheres que existem no Brasil, não para uma ou para outra. Por isso, muitas vezes eu consigo entender uma mulher que sofre violência e não denunciou e que depois de muito tempo quer denunciar, ou aquela mulher que não vai denunciar”, disse. “Ela precisa de apoio, de fortalecimento da autoestima para que ela consiga romper o silêncio, ter uma segurança. Não dá para julgar, cada uma de nós tem uma história, a gente tem que respeitar. Tem que ser fácil e simples, a mulher tem que ter na mão um instrumento que ela possa acessar a rede de proteção”, defendeu.

Para facilitar e ajudar mulheres vítimas de violência, Gabriela criou a rede “Justiça de Saia”, que esclarece alternativas para recorrer à Justiça em casos de estupro, agressão física e verbal. “Queria me comunicar com as mulheres de alguma forma. Hoje nós temos mais visibilidades, os casos são mais destacados na mídia, mas há dez anos, não tínhamos esse espaço e essa possibilidade de mostrar casos de violência contra mulher, é como se a mulher não tivesse espaço para falar sobre a própria mulher. Éramos invisibilizadas nesse sentido”, lamentou. “Começou a ser uma plataforma de notícias, a gente mostra o que pode ser feito quando a mulher está de olho roxo. Existe lei, a Justiça funciona, sim, mas precisamos acreditar e dar visibilidade. Fui muito criticada, mas assumi.”

Como livro, a convidada indicou o seu lançamento mais recente “Código de compliance feminino”. Como filme, ela relembrou o clássico “O Diabo Veste Prada”, com Meryl Streep. “Me chamam de Miranda do bem, entendo porque somos muito exigentes. Você pode ser exigente, mas não precisa ser agressiva. É isso que as meninas me falam”, disse. Como mulheres positivas, ela homenageou a sua equipe de trabalho. “Apostam numa nova realidade para o Brasil.”

Confira na íntegra a entrevista com Gabriela Manssur: