Juíza e procuradora falam sobre caso Flordelis e a participação feminina na criminalidade

Ivana David e Ana Zomer foram as convidadas do programa ‘Mulheres Positivas’ desta segunda-feira; elas abordaram a relação das mulheres com a Justiça, como vítimas ou investigadas

  • Por Jovem Pan
  • 17/05/2021 19h05
Jovem Pan/YouTube/ReproduçãoEspecialistas falaram sobre mulheres e Justiça

O programa “Mulheres Positivas” da Jovem Pan, desta segunda-feira, 17, traz como convidadas da apresentadora Fabi Saad a juíza Ivana David, do Tribunal de Justiça de São Paulo, e a procuradora e criminalista Ana Zomer para falar sobre como as mulheres costumam ser consideradas como “partícipes” por serem cooptadas ao crime em algumas situações expostas diante da Justiça e sobre o crescimento do protagonismo delas em casos enigmáticos para a sociedade. “A criminalidade feminina vem ganhando corpo, ainda que muito menos relevante em relação à criminalidade masculina, mas ela continua entrando na criminalidade muito pela via do seu parceiro”, afirmou a procuradora Ana Zomer. Nesses casos, como por exemplo quando as mulheres tentam traficar drogas para o marido dentro da prisão, são descobertas e terminam presas, elas passam a ser criminalizadas. “A gente vê hoje em dia a mulher, em vários pontos, se envolvendo com a Justiça, não raras vezes, como vítima direta de algum tipo de criminalidade, ou às vezes como vítima indireta. E aí ela deixa de ser vítima para ser uma protagonista, uma autora da conduta criminosa”, explicou a juíza.

Para Ivana David, o caso da deputada Flordelis, apontada pela polícia do Rio de Janeiro como idealizadora da morte do marido, o pastor Anderson do Carmo, refoge aos limites processuais penais e chega a mostrar traços de uma patologia. “Ela envolve a família toda em condutas criminosas. A impressão que a gente tem é de que ela vai seduzindo a família, se passando por uma boa pessoa, uma boa mulher”, recordou. Ela lembra que a pastora vai ser julgada pela sociedade na qual vive em um júri popular, o que deixa como uma incógnita qual será a punição dela no futuro. “O júri sai da parte técnica e envolve muito o lado emocional”, recorda. A procuradora lembrou que toda discussão sobre o caso é feita em tese, já que não há conhecimento dos autos por parte das duas, mas que a história tem uma série de meandros que fazem com que aqueles que observam do lado de fora questionem se ela é psicopata, o que nem sempre é real. “Muitas vezes, a pessoa tem total capacidade de entender o caráter da ilicitude, total capacidade de se determinar de acordo com o seu entendimento, e ela simplesmente é uma pessoa má, uma pessoa doente, capaz de cometer o mal”, analisou. A entrevista completa das especialistas pode ser conferida no aplicativo Panflix. 

Confira o programa “Mulheres Positivas” desta segunda-feira, 17: