Patrícia Ellen lembra ‘operação de guerra’ contra Covid-19 em SP: ‘Acampamos no Palácio’

Secretária de Desenvolvimento Econômico, Ciência e Tecnologia de São Paulo foi convidada do programa ‘Mulheres Positivas’ desta semana

  • Por Jovem Pan
  • 10/01/2022 12h37
Governo do Estado de São Paulo/DivulgaçãoPatrícia Ellen foi entrevistada no programa Mulheres Positivas

A secretária de Desenvolvimento Econômico, Ciência e Tecnologia de São Paulo, Patrícia Ellen, foi a convidada da semana da apresentadora Fabi Saad no programa “Mulheres Positivas“, da Jovem Pan, e falou sobre suas inspirações e os desafios do cargo durante a pandemia da Covid-19. Ellen, que traçou uma série de trabalhos nos bastidores do governo de São Paulo desde 2019, ganhou ainda mais evidência no cenário público do Estado durante a força-tarefa criada para lidar com a pandemia da Covid-19. Por causa da sua experiência anterior em uma empresa de tecnologia voltada para saúde e na área de gerenciamento de crises, ela foi convidada a integrar o gabinete de crise do Estado. “De um dia para o outro, tive que viver aquilo que eu passei a vida recomendando e em uma intensidade que a gente nunca imaginou”, recordou. Ela lembrou de ficar ‘acampada’ por mais de um ano no Palácio dos Bandeirantes. “A gente estava ali em uma operação de guerra todos os dias. A gente viveu a quarentena de forma diferente”, afirmou.

Com familiares vindos em um pau de arara de Sergipe para São Paulo e outros com um passado no garimpo brasileiro, ela teve pais que passaram necessidade e viveu uma infância simples no bairro do Campo Limpo, de onde saiu para fazer faculdade na Universidade de São Paulo (USP) e em Harvard. “Meu pai e minha mãe batalharam para nos dar acesso à educação. Eu comecei estudando em uma escolinha da igreja do bairro e comecei a aprender a ler sozinha […] através da educação, a minha vida foi transformada em todos os sentidos”, recordou. Enquanto ela cursava a oitava série, o pai e a mãe dela também terminavam os estudos em supletivos. O passado humilde não ficou para trás, e constantemente durante a gestão de crise causada pela pandemia ela via seus pares nas pessoas atendidas pelo governo de SP. “A pandemia eu vivi de uma forma emocionante, porque eu trabalhei naquelas profissões que as pessoas não poderiam trabalhar, eu tinha família na mesma situação, então nunca foram números para mim, eram as vidas de pessoas que eu convivo, que eu amo e que estavam passando exatamente pela mesma situação, e que eu tinha que dizer ‘a gente não vai poder voltar agora, senão a gente vai morrer'”, disse, emocionada.

Além de um projeto para incentivar o empreendedorismo feminino para além da necessidade, Patrícia Ellen faz parte do “Movimento Agora” desde 2016, que convidou pessoas brasileiras para discutir uma agenda de um país mais inclusivo, inovador, sustentável e com agenda tecnológica. “Hoje a gente precisa disso de novo e mais do que nunca. De novo a sociedade está dividida, ninguém quer discutir política, estamos todos exaustos e precisamos de referências. A gente precisa se mobilizar para ter um debate construtivo”, afirmou. Com a retomada da economia no Estado de São Paulo, a secretária tenta recuperar o tempo perdido e diz que não pensa no momento em projetos políticos. “Minha reflexão agora é ‘onde posso contribuir no meu próximo desafio para continuar tendo impacto, ajudar as pessoas e usar a experiência dos últimos anos na gestão pública?'”, pontuou.

Como um livro indicado para mulheres positivas, a secretária lembra de “Em Busca de Sentido”, de Viktor Frankl. Um filme inspirador para ela foi “Diário de uma Paixão” e entre as mulheres que ela admira estão Jacinda Ardern, primeira-ministra da Nova Zelândia, que aumentou a sua notoriedade mundialmente por causa das medidas que tomou para conter a Covid-19 no país oceânico. “Ela foi muito forte, assertiva, com dados, firme no lockdown. As decisões que precisamos tomar na pandemia foram muito duras, elas exigiam firmeza”, afirmou, lembrando que a neozelandesa fez até mesmo coletivas de imprensa para crianças, explicando para elas por que elas deveriam ficar isoladas. Ellen também lembrou do trabalho da cientista política Ilona Szabó, que fundou o Movimento Agora, e de Priscila Cruz, do Todos Pela Educação.

Confira o programa “Mulheres Positivas” deste sábado, 8, na íntegra: