Priscila Menucci critica cotas para pessoas com deficiência: ‘Detesto vitimismo para chegar em algum lugar’

Comediante, que foi uma das convidadas do programa ‘Mulheres Positivas’, falou sobre o preconceito sofrido por pessoas com nanismo na sociedade: ‘Olham como se fosse um palhacinho do circo’

  • Por Jovem Pan
  • 26/04/2021 16h26
Os Malucos da TV/Instagram/ReproduçãoPriscila Menucci falou sobre preconceito na carreira

O programa “Mulheres Positivas“, da Jovem Pan, desta segunda-feira, 26, debateu o preconceito e trouxe como convidadas da apresentadora Fabi Saad a atriz, humorista e apresentadora Priscila Menucci e a psicóloga Letícia de Oliveira, especialista em análise de comportamento. Menucci, que tem nanismo, conta que traçou uma técnica ainda na infância para não ser alvo das piadas dos outros: ser engraçada com os amigos da escola para que eles rissem junto dela. A avó, que cuidou dela ao longo da vida, foi uma das que mais incentivou a resiliência da atriz. Apesar de reconhecer os avanços contra o preconceito na sociedade hoje, ela ainda vê traços dessa discriminação na sociedade. “As pessoas olham o nanismo como um palhacinho do circo. Não ofendendo o circo, mas eles não olham a pessoa como uma executiva, uma médica, uma enfermeira, uma atriz humorista. Eu fui humorista por opção, não fui empurrada porque era a única coisa que eu tinha a fazer na minha vida. Tanto é que eu era auxiliar administrativa de RH. Eu quase morri, fiquei louca em uma empresa e graças a Deus conheci o outro lado e me libertei”, recordou.

Na própria carreira, porém, Menucci vê uma série de obstáculos ligados ao nanismo. “Eu não estou mais na ‘Praça É Nossa’. Tenho certeza que foi uma puxada de tapete. Ainda mais o meu quadro, que falava sobre o meu tamanho, meu marido falava sobre o meu tamanho, brincava com o meu tamanho e eu dava porrada no meu marido. Ele fazia o meu parceiro da vida de casado no quadro e ele não tinha [nanismo] e eu tinha. Tenho certeza que isso incomodou muita gente”, afirmou. A psicóloga Letícia Oliveira afirmou que pessoas que são vítimas de preconceito na sociedade não costumam chegar no consultório do especialista narrando um preconceito, e sim uma série de outros sintomas, como depressão, crise de pânico ou baixa auto estima. “Quando a gente vai entrando mais a fundo, nem a própria pessoa percebe. Às vezes no contexto dela sou eu que tenho que apontar e falar ‘Olha, você não está sendo tratada com respeito'”, disse, lembrando que muitos dos que vivenciam esse preconceito acham que isso é “normal”.

Questionada por Fabi Saad se não encara as cotas como um processo transitório até a igualdade, Priscila afirmou que não e, falando diretamente sobre as cotas obrigatórias para contratação de pessoas com deficiência (PCD) em empresas, ela disse que acredita que podem ser limitantes para os contratados. “Eu detesto gente que usa o vitimismo para ter alguma coisa, para chegar a algum lugar. Vou ser bem clara: os benefícios eu sou contra, as cotas eu sou contra, sou contra tudo isso porque faz a gente ser mais vítima”, pontuou. “Às vezes na empresa nós somos encaixados em qualquer lugar. ‘Fica aí quietinho, separa esse papel, mas não precisa falar mais nada. Está bom assim. Só para a empresa não pagar a multa”, lamentou. Para a psicóloga, há muitas nuances envolvidas nesse tema polêmico, mas um dos passos importantes para a inclusão das PCDs na sociedade é fazer não apenas por burocracia, mas por uma intenção genuína.

Como obra audiovisual inspiradora, a psicóloga Letícia de Oliveira indicou “Homeland”; como mulher inspiradora, ela lembrou da pesquisadora Brené Brown e como livro ela indicou a obra “10% mais feliz”. Já a atriz Priscila Menucci indicou o filme “Milagre na Cela 7” e o livro “Gigantes no Coração”, que fala sobre uma família de pessoas com nanismo na época do holocausto. Como mulher inspiradora, além da própria avó, ela lembrou da importância de Hebe Camargo. “Como ela passou por muita coisa, muito preconceito por ser mulher na época em que foi, e conseguiu o que ela quis”, recordou.

Confira o programa “Mulheres Positivas” desta segunda-feira, 26, na íntegra: