Projeto aposta em inclusão e capacitação de mulheres no mercado da programação

‘Sociedade contribui para que não exista mulheres na área das exatas’, afirmou sênior manager da Catho, em entrevista ao programa Mulheres Positivas

  • Por Jovem Pan
  • 25/04/2022 18h54 - Atualizado em 25/04/2022 18h58
Reprodução/Jovem Pan News Cenário do programa A apresentadora Fabi Saad (à esq.) recebe Bianca Machado e Tatiana Vasone (à dir.) no programa "Mulheres Positivas"

Nesta semana, o programa Mulheres Positivas recebeu Tatiana Vasone, sócia da Let’s Code, e Bianca Machado, sênior manager de recrutamento da Catho. Juntas, elas representam o projeto Devel(as), que busca capacitar e incluir mulheres no mercado da programação e da ciência de dados. Em entrevista à Fabi Saad, Machado contou de onde surgiu a ideia do projeto conjunto entre as empresas. “De uma dor fortíssima na Catho para a gente contratar desenvolvedores ou desenvolvedoras. Não só a capacitação como a atração dessas pessoas. É um mercado extremamente aquecido e difícil de atrair talentos”, explicou. “A Catho procurou a Let’s Code para que a gente conseguisse capacitar pessoas, e, por que não, mulheres? A Catho tem uma cultura fortíssima de diversidade e inclusão. E aí surgiu essa ideia para tanto sanar a dor da Catho, e a Let’s Code entrou com essa missão linda de nos apoiar.”

Para além da capacitação, Bianca Machado apontou a representatividade feminina na área da tecnologia como uma das motivações para a construção do projeto. “São números assustadores. Dezenove por cento de mulheres na área de tecnologia, sendo que nós somos mais da metade da força de trabalho no Brasil. Quando a gente olha esse número globalmente, são 11% de mulheres na tecnologia. Na Catho, a gente quer chegar mais que 50% também. Hoje, o número é menor do que 30%”, contou. A sênior manager também lembrou sobre a existência de limites culturais e sociais que desestimulam a presença de mulheres na programação. “A gente sabe que tem muito espaço. Tem questões socioculturais envolvidas. A nossa história e nossa sociedade patriarcal contribuíram para que a gente não tenha mulheres na área de exatas. Menos de 30% das mulheres escolhem a área de exatas e isso influencia diretamente no mundo da tecnologia.”

Vasone deu dicas para a inserção de mulheres e jovens no mercado da programação. “O code.org e Girls Who Code são iniciativas mundiais para trazer o público jovem para a programação”, disse. “No começo do Let’s Code, a gente atendia o público infantil, começava com crianças de 7 anos. Eram mais ou menos 60% meninos e o restante meninas. Aos poucos, isso está mudando. Uma iniciativa para impacto de médio a longo prazo.” Vasone ainda falou sobre a necessidade do ensinamento das lógicas de programação no ensino básico. “Você chega ao mercado de trabalho e precisa saber falar com a tecnologia, precisa entender sobre. Com esse novo desenho de modelo do ensino médio, com certeza, uma das eletivas é a matéria de programação.”

Como mulher positiva,  Tatiana Vasone relembrou a trajetória de Belinda Gates. “Ela fez ciências da computação, era uma ex-funcionária da Microsoft”, disse. Sobre livros, Ela indicou a biografia de Belinda, “Momento de Voar”. Como filme, a sócia da Let’s Code trouxe o longa estrelado por Anne Hathaway, “O Estagiário”. “Traz o olhar de inclusão e diversidade de empresa.” Bianca Machado trouxe como indicação de livro a obra “A Regra é Não Ter Regras”, de Erin Meyer e Reed Hastings, que conta sobre os bastidores da cultura da Netflix. Como filme, ela citou a série biográfica de Madame C. J. Walker, “Self Made”, disponível na Netflix. “Diversidade, inclusão e a primeira mulher negra de sucesso num país que sofreu tanto preconceito”, falou sobre a obra. Como mulher positiva, a sênior manager da Catho recordou a história de superação da própria mãe, uma das três sobreviventes de um grave acidente em que foi vítima de queimaduras de terceiro grau.

Confira na íntegra o programa Mulheres Positivas desta semana: