Rafa Brites quer focar seus trabalhos em mulheres: ‘Hoje não quero ser a única em nenhum lugar’

Escritora, apresentadora e palestrante conversou sobre machismo, relacionamentos e padrão de beleza com Fabi Saad no programa ‘Mulheres Positivas’ desta segunda-feira, 26

  • Por Jovem Pan
  • 26/07/2021 17h39
Rafa Brites/Instagram/24.06.2021Rafa Brites foi entrevistada no programa 'Mulheres Positivas'

O programa “Mulheres Positivas“, da Jovem Pan, trouxe nesta segunda-feira, 26, a influenciadora de jornadas, escritora, palestrante, apresentadora e empreendedora Rafa Brites. A convidada da apresentadora Fabi Saad falou sobre os TEDs que fez no começo e durante a pandemia sobre a síndrome da impostora e o próximo livro que está produzindo, que trata de amores mesquinhos. No vídeo sobre a síndrome da impostora, Brites afirma que as “exterminadoras do presente” deixam de viver o agora para pensar no que vai acontecer no futuro ou o que ocorreu no passado. “Você se planeja, você faz as suas metas, você deixa tudo organizado, mas para você chegar lá é um dia após o outro. A gente só vai chegar nos nossos sonhos construindo”, explicou. Em busca do sucesso, ela chegou a “interceptar” a apresentadora Ana Maria Braga em um jantar. “Peguei roupa emprestada, joia emprestada, fiquei igual a um corvo. Na hora que ela levantou para ir ao banheiro, eu peguei ela, passei meu currículo, falei do meu sonho. Eu sou assim. Não tenho vergonha de dizer o meu sonho”, recordou ela, que revelou que seu objetivo é voltar seus conteúdos para projetos sociais, principalmente para mulheres.

Segundo a palestrante, há uma motivação específica para focar os seus trabalhos no público feminino: ela quer que mulheres ocupem mais espaços. “Eu sentia a gente muito silenciada, sabe? Eu fui uma mulher que sempre estive em ambientes de liderança rodeada de homens. Durante um tempo, com a minha ignorância, eu achava ‘que bom, sou a única mulher aqui’. E hoje em dia eu falo ‘não, eu não quero ser a única mulher em nenhum lugar. Quero, no mínimo, 50/50′”, disse. Por causa do machismo, Brites chegou a desistir de uma vaga de emprego, já que, no mercado empresarial, muitos relacionavam seu sucesso à sua aparência ou a “segundas intenções” de chefes. “Desisti porque me convenceram que não era meu mérito. Hoje eu entendo que, meu Deus, se alguém falar isso dou o meu livro, um monte de site, um monte de gente para seguir”, recordou.

Ela contou, ainda, que decidiu deixar a televisão tradicional por causa de mudanças na sua visão sobre o mundo. “Os meus objetivos eram todos ensimesmados. Quando eu vi, ‘por que eu quero apresentar esse programa?’ Eu estou falando o que eu acho que eu deveria falar? Eu estou comunicando o que eu acho que pode mudar o mundo, o que pode transformar a sociedade, ou não? Ou isso aqui está me dando seguidor, me dando like? E eu vi que estava sendo alimentada por isso. Eu fui me perdendo. Comecei a me achar. Na hora que eu falei ‘gente, acho que estou me achando demais, tenho que sair disso aqui porque estou uma mala'”, relembra. Uma reflexão feita pela palestrante em um dos vídeos dela é de que as mulheres precisam ter olhos mais gentis para se cobrar, pensando que jamais reproduziriam o que pensam sobre si mesmas para outras amigas. “A gente se olha no espelho, a gente não se olha, a gente se julga”, refletiu.

O olhar julgador sobre si e os outros também foi algo que ela aprendeu a mudar ao longo da vida. Em 2019 ela chegou a pedir desculpas por ter aparecido em uma capa de revista chamada “Boa Forma” com o corpo tonificado pouco após ter um filho. “A mãe que não está dentro daquele corpo padrão, ela tem uma forma ruim? Claro que não”, afirmou, lembrando que aquilo pode ter feito mães se sentirem mal e buscarem por dietas inadequadas. Na conversa com Fabi Saad, Rafa Brites também falou sobre relacionamentos, monogamia e o que mudaria nas relações entre casais no futuro. “Não dá para você viver achando que você depende da pessoa para ser feliz. Acho que é você criar crianças mais individualistas”, disse, pontuando que o companheiro em uma relação deve ser apenas um complemento, não um ponto determinante na vida de alguém. Como um livro importante para mulheres positivas, Brites indicou “Motivação 3.0”, do autor Daniel Pink; como obra audiovisual “Black Mirror” e como mulher admirável, a deputada federal Tabata Amaral (PDT-SP). “Ela é uma mulher de muita garra, que eu admiro muito a força dela”, concluiu, lembrando que a parlamentar decidiu parar de reclamar da educação do país para mudar ela.

Confira o programa “Mulheres Positivas” desta segunda-feira, 26, na íntegra: