Regina Yazbek afirma que machismo na Fórmula 1 não a desanimou: ‘Nunca pensei em parar’

Em entrevista ao Mulheres Positivas, empresária falou sobre sua experiência no ramo automobilístico, assédio no trabalho e sua trajetória na logística do Grande Prêmio de Interlagos

  • Por Jovem Pan
  • 08/11/2021 17h44
Reprodução/Jovem PanA empreendedora Regina Yazbek foi a convidada do programa Mulheres Positivas desta segunda-feira, 8

O programa Mulheres Positivas, da Jovem Pan, traz como convidada da semana da apresentadora Fabi Saad a empresária Regina Yazbek, responsável pela logística de carga dos equipamentos da Fórmula 1. No ramo há mais de 30 anos, a empreendedora fechou negócios para cuidar do GP de São Paulo em 1992, e desde então é responsável por levar parte dos materiais da corrida entre os aeroportos e o autódromo. “Uma parte dos materiais vem da Europa e outra vem do GP anterior. Levamos de volta para o próximo grande prêmio ou para a Europa. É uma operação sofisticada, é um cronograma apertado e preciso. Começa em Viracopos, há uma transportadora contratada que leva até Interlagos. A gente sempre visa otimizar custos e viagens. Em Interlagos a gente desmobiliza esses equipamentos no chão, para cada equipe individualmente”, conta. 

Quando Regina começou sua jornada na área da logística, ela tinha 23 anos. No início, Regina conta que não tinha experiência, mas os desafios a fizeram se apaixonar pelos processos industriais. “Eu comecei em 1987, não tinha experiência, trabalhava com seguros. Tinha 23 anos, era muito jovem. Era um segmento masculino, foi uma época bem difícil, mas muito desafiadora. Acabei me apaixonando, não era só uma empilhadeira. Me apaixonei pelos processos produtivos dentro da indústria”, conta. Hoje, a empresária conta que a experiência com o Grande Prêmio do Brasil mudou a trajetória e as estratégias da empresa com outros clientes: “O ganho que a gente tem é tão grande, que levamos para os negócios principais. Nosso negócio é a indústria, mas replicamos a excelência da Fórmula 1 no nosso negócio. (…) O que mais tenho prazer em fazer é a Fórmula 1. A cada ano é um aprendizado e uma coisa nova que eu levo para a empresa.”

Porém, Regina conta que no início de sua carreira, deixava se abalar por situações de assédio e machismo.  “No começo eu chorava, ia para o banheiro, me vestia de um jeito mais senhora, os cabelos eram mais curtos. Eu me chateava, me intimidava. Já aconteceu de participar de reuniões e pedirem para pegar um cafezinho. O lado ruim é que você demora um pouco mais para ter autoconfiança, se impor. Você é mais julgada, mais cobrada. Depois de 30 anos, hoje para mim é algo mais tranquilo. Nunca tive vontade de desistir, nunca pensei em parar”, desabafa. Segundo ela, as situações de assédio que sofreu por ser mulher foram decisivas para a incentivar a educação dos colaboradores de sua empresa, além da criação de sua filha. “Foram momentos difíceis, não era a palavra assédio, não podia falar, era uma coisa velada. Eu sempre ensinei minha filha a se posicionar, lutar pelo seu espaço e pelo seu lugar como mulher no mundo. É um assunto chato. Eu incentivo um trabalho árduo no meu RH quanto a isso, temos palestras com nossos profissionais.”

Confira o programa Mulheres Positivas desta segunda-feira, 8: