Thammy Miranda fala sobre primeiro cargo de vereador: ‘Nunca trabalhei tanto na vida’

Parlamentar foi convidado da apresentadora Fabi Saad no programa ‘Mulheres Positivas’, da Jovem Pan, nesta segunda-feira, 31, e também falou sobre transfobia

  • Por Jovem Pan
  • 31/05/2021 16h38
Reprodução/InstagramThammy Miranda foi eleito vereador em 2020 pelo PL

O programa “Mulheres Positivas“, da Jovem Pan, trouxe como convidados nesta segunda-feira, 31, o vereador Thammy Miranda e a professora Carol Diniz. Entrevistados pela apresentadora Fabi Saad, ambos discutiram a necessidade de diálogo como uma forma de combater a transfobia. “Quando as pessoas não sabem, às vezes elas agem com preconceito mesmo sem querer, dando uma opinião errada, uma opinião que vai agredir, que vai machucar a pessoa. Talvez ela não queira machucar a pessoa, ela só é desinformada”, opinou Thammy. O vereador lembrou, porém, que respeitar o próximo é importante de todas as formas e que o diálogo, muito mais do que a “educação”, é uma palavra chave para lidar com a transfobia. “Eu não acho nem que tem que falar só na escola, tem que falar dentro de casa, porque quem tem que educar nossos filhos somos nós, pais. A escola auxilia”, disse. Thammy e Fabi Saad discordaram sobre a forma como a transfobia deve ser abordada na escola: enquanto a apresentadora acredita no poder da obrigatoriedade de disciplinas sobre o assunto, o vereador afirma que o diálogo é o melhor caminho para evitar a intolerância gerada pela exigência de certas abordagens.

“Você mostrar para as crianças que ser empático é mais importante do que impor as coisas, as vontades, os direitos, as crianças vão aprendendo e elas vão ser os adultos de amanhã, que vão ensinar outras crianças a serem empáticas. Assim, ninguém fica naquela da imposição, porque quando a gente impõe muito, a gente gera um distanciamento, de coração, de alma mesmo, entre aquele que a gente está impondo e a gente”, afirmou Carol Diniz. A educação partindo da base foi uma das bandeiras da eleição de Thammy, que lembrou que, ao contrário do que muitos pensam, ser político não é “tirar férias”. “As pessoas normalmente falam: ‘Você é vereador, então você está de férias. Quatro anos de férias’, eu nunca trabalhei tanto na minha vida”, disse. Thammy ainda brincou com a situação e revelou que, na verdade, sentiu que estava há 38 anos de férias e que agora começou a trabalhar. “É uma demanda muito grande e se você realmente se importa com o outro é uma responsabilidade muito grande. Aqui a gente decide a vida das pessoas. Semana passada votamos o PPI, que é um parcelamento para empresas que estão se lascando com dívidas absurdas, e que a gente se não vota um parcelamento dificulta a vida das empresas, então todo momento você está decidindo a vida das pessoas”.

Um dos projetos idealizados por Thammy pede que inteligência emocional seja uma disciplina exigida nas escolas de São Paulo. “Quando você trabalha a inteligência emocional das pessoas, o preconceito já cai por terra”, afirmou. Mesmo diante da pandemia, ele costuma fazer visitas periódicas a bairros da capital paulista para saber quais as necessidades da população ao seu redor. “Não dá para você estar dentro da sua casa ou em um gabinete com ar condicionado ligado sabendo que a galera está passando fome. Não tenho esse estômago”, disse. Ele lembrou que já deu conselhos a outras pessoas no passado sobre como lidar com a própria transexualidade e viu que a realidade dos outros diante das famílias nem sempre era igual à dele. “Posso falar por mim: eu leveu 32 anos para tomar essa decisão, mas eu já era independente, eu me sustentava. Se você não tem uma família que te apoia, acho que a melhor forma é o diálogo mesmo. É tentar conversar, é você respeitar o outro, que às vezes não entende o que está acontecendo. Eu gostaria muito que todo mundo pudesse se libertar, ser feliz, ser quem você é, se sentir completo como eu me sinto hoje, mas eu tinha material para isso. Eu tinha possibilidades de fazer isso”, lembrou.

Como livro indicado para ouvintes do programa “Mulheres Positivas”, Thammy indicou uma produção feita por ele mesmo chamada “Nadando contra a corrente”, que fala sobre transexualidade. Como um filme, ele indica “O Milagre da Cela 7” e como mulher inspiradora ele lembrou da própria esposa, Andressa Ferreira. “Ela tinha todas as possibilidades de não precisar viver nada disso, de nenhum preconceito, de enfrentar barreira nenhuma. Poderia viver a vida dela tranquilona, sem passar por nada disso, porque a realidade dela é diferente da minha. A minha é uma condição, eu nasci assim. Ela não. Ela é bissexual e ela escolheu passar por tudo isso comigo. Deve ter uma missão muito linda na vida dela”, afirmou.

Confira o programa “Mulheres Positivas” desta segunda-feira, 31, na íntegra: