Em meio a ameaças de Trump, Macron critica ‘ambições imperialistas’ em Davos

Declaração vem depois que o presidente americano, Donald Trump, ameaçou aplicar tarifas adicionais de 10% aos países europeus que realizarem manobras militares na Groenlândia

  • Por Jovem Pan*
  • 20/01/2026 13h00 - Atualizado em 20/01/2026 13h12
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LUDOVIC MARIN / AFP emmanuel macron Macron também pediu para a UE não hesitar em usar mecanismos anticoerção

O presidente da França, Emmanuel Macron, pediu nesta terça-feira (20) a seus parceiros da União Europeia para não hesitarem em aplicar o mecanismo anti coerção quando “não formos respeitados e não se respeitarem as regras do jogo”, e defendeu manter a “calma” e “não aceitar passivamente a lei do mais forte”. Também disse que os países caminham para um “mundo sem lei” em que “ambições imperialistas estão ressurgindo”.

“Não devemos hesitar em usá-lo”, disse Macron em seu discurso no Fórum de Davos (Suíça) ao se referir ao mecanismo anticoerção, conhecido como “bazuca comercial”, do qual a UE se dotou no final de 2023 e que ainda não foi utilizado.

“A Europa tem ferramentas muito poderosas e devemos utilizá-las quando não somos respeitados e quando as regras do jogo não são respeitadas”, continuou o mandatário francês.

Essas palavras de Macron surgem depois que o presidente americano, Donald Trump, ameaçou aplicar tarifas adicionais de 10% aos países europeus que realizarem manobras militares na Groenlândia (Dinamarca, Finlândia, França, Alemanha, Holanda e Suécia, além de Noruega e Reino Unido), bem como de 200% sobre vinhos e champanhes franceses pela recusa do mandatário francês em entrar na Junta de Paz para Gaza idealizada pelo republicano.

“Com a Groenlândia, não ameaçamos ninguém, apoiamos um aliado, a Dinamarca”, disse Macron em seu discurso em Davos, no qual manifestou que as tarifas com as quais Trump ameaçou os países que se opõem à sua ambição são “inaceitáveis, sobretudo se forem usadas (por parte de Washington) para obter uma vantagem territorial”.

“Não devemos aceitar passivamente a lei do mais forte, já que isso conduz a uma política do mais forte e a uma abordagem neocolonial. O neocolonialismo não é a solução”, ressaltou o presidente francês.

No mesmo fórum, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, advertiu Trump de que seria “um erro, especialmente entre aliados de longa data”, aplicar essas tarifas, sobretudo após o pacto entre Washington e Bruxelas para que os bens produzidos na UE fiquem sujeitos a uma tarifa geral de 15% nos EUA.

Diante de uma audiência composta por dirigentes políticos e econômicos, Macron pediu que assumam a “responsabilidade” de enfrentar essas tendências e “atos brutais”.

“A Europa deve defender o multilateralismo, que serve aos nossos interesses e aos de todos aqueles que se negam a submeter-se à força bruta”, acrescentou, defendendo que a UE se dote de “mais soberania e autonomia” em um mundo que se dirige para “a lei do mais forte”, ao mesmo tempo em que fez um apelo pela cooperação internacional, em fóruns como as Nações Unidas ou o G7, que a França preside neste semestre.

Precisamente, em uma cúpula do G7 na próxima quinta-feira em Paris, Macron havia convidado Trump para abordar as atuais tensões pela Groenlândia, mas o mandatário americano ainda não respondeu. Por outro lado, o republicano adiantou hoje que manterá uma reunião com as “diferentes partes” sobre a Groenlândia em Davos, à qual o chefe de Estado francês não comparecerá, já que disse à imprensa que deixará hoje mesmo a localidade alpina suíça.

“Preferimos o respeito às bestas, a ciência às teorias da conspiração e o Estado de direito à brutalidade”, afirmou Macron, elogiando o fato da Europa ser “um lugar onde o Estado de direito e a previsibilidade continuam sendo a norma”.

*Com informações da EFE

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