Acusado de terrorismo na Síria, ex-detento de Guantánamo é liberto em Londres

  • Por Agencia EFE
  • 01/10/2014 14h41

Londres, 1 out (EFE).- O britânico Moazzam Begg, que esteve preso em Guantánamo entre 2002 e 2005, saiu em liberdade da prisão de Belmarsh, em Londres, nesta quarta-feira após a procuradoria do Reino Unido retirar sete acusações por supostos crimes de terrorismo relacionados ao conflito na Síria.

Ao sair da prisão, Begg, de 45 anos e origem paquistanesa, se mostrou feliz por se livrar das acusações, que negava. O ex-detento disse que sua prioridade era se reencontrar com a família, mas insistiu que “decisões judiciais do governo britânico, na política externa e interna, estão demonizando a comunidade muçulmana”.

“Não só uma, mas duas vezes no meu caso, o governo britânico esteve envolvido direta ou indiretamente em minha detenção”, manifestou em alusão à sua prisão anterior em Guantánamo, onde permaneceu entre 2002 e 2005, quando foi liberado sem acusações.

A procuradoria britânica retirou nesta quarta-feira, de forma repentina, as acusações que havia feito em fevereiro por suposta assistência a um campo de treinamento na Síria e financiamento de atentados terroristas no exterior.

Em uma audiência no tribunal penal de Old Bailey, em Londres, o fiscal Christopher Hehir anunciou que, após revisar o caso e receber novos dados, foi decidido que “não havia provas suficientes”.

Begg assistiu por videoconferência, da prisão, como o juiz opinava sobre a retirada das acusações e fechava o processo. Após a sentença, o britânico saiu da prisão londrina, onde passou os últimos sete meses à espera do julgamento.

Casado e pai de quatro filhos, Begg foi detido em 25 de fevereiro em Birminghan, na Inglaterra, junto com outros dois homens e uma mulher.

Ao todo, recebeu sete acusações, que incluíam a “posse de um artigo para fins ligados ao terrorismo entre 2012 e 2014” -em referência a “documentos eletrônicos”- e o suposto financiamento de atividades terroristas com a doação de um gerador em julho de 2013.

O fiscal garantiu nesta quarta-feira que, no momento da detenção, “considerou que havia provas suficientes para conseguir que fosse condenado”, apesar dessa avaliação ter mudado após “a análise de outro material relevante”.

O juiz afirmou que “com a decisão da procuradoria que não apresentará provas, o veredicto é de não culpabilidade”.

Moazzam Begg foi capturado no Paquistão em fevereiro de 2002 durante as invasões do Afeganistão e Iraque, junto com outros suspeitos que o governo do então presidente americano, George W. Bush, deteve extrajudicialmente na base militar de Guantánamo.

Após sua liberação em 2005, Begg escreveu livros e deu conferências sobre sua experiência na base americana, além de criar a organização “Cage”, que ajuda parentes de pessoas que foram detidas sem acusações. EFE