A agenda política da semana em Brasília e os movimentos pré-eleitorais

  • Por Jovem Pan
  • 19/05/2014 16h45
Como toda segunda-feira, Fernando Rodrigues relata a agenda política da semana. Dilma Rousseff estará inaugurando mais obras pelo País, num claro movimento de pré-campanha eleitoral. A oposição também se mexe.
Nesta segunda, a presidente lança o Plano Agrícola e Pecuário no Palácio Planalto, uma tentativa de garantir o apoio desses setores à sua reeleição. Terça, viaja para visitar uma fábrica da Embraer no interior de São Paulo, em Gavião Peixoto, além de inaugurar o Terminal 3 do Aeroporto de Guarulhos. Quinta, Dilma inaugura um trecho de quase 900 km da ferrovia Norte-Sul, lançada há mais de 20 anos por José Sarney, em Anápolis, Goias, e Porto Nacional, Tocantins. Rousseff vai ainda na sexta-feira a Ji-Paraná, em Rondônia, entregar máquinas agrícolas.
Pela oposição, Aécio participa nesta segunda do pré-lançamento da candidatura do tucano Pimenta da Veiga ao governo de Minas Gerais. Ainda à tarde, Neves vai a Curitiba, em lançamento de livro sobre José Richa, ex-governador do Paraná que morreu em 2003.
Já Eduardo Campos visita diversas cidades do Nordeste nesta semana. Campos vai a Paulo Afonso e Feira de Santana (BA) na terça e João Pessoa e Campina Grande (PB) na quarta. Quinta, Campos visita Natal e Santa Cruz, no Rio Grande do Norte.
No Legislativo, dá-se início finalmente à CPI da Petrobras. No Senado, serão ouvidos alguns depoimentos. Na terça, José Sérgio Gabrielli, ex-presidente da Petrobras, e o ex-diretor da área internacional e Nestor Cerveró na quinta falarão à CPI instalada no Senado Federal.
Na terça, Câmara e Senado terão reunião conjunta (Congresso) para analisar 14 vetos da presidente Dilma, inclusive a lei que criaria centenas de novos municípios no País.
Aos 45 do segundo tempo
Aécio Neves é o único pré-candidato ao Palácio do Planalto que ainda não tem um nome para compor sua chapa como vice. PSDB e Neves querem esperar ao máximo para ver se haveá mais defecções no campo governista e esperar, sobretudo, uma decisão final de José Serra, que fez anúncio público pela rede social que será candidato apenas a um cargo no legislativo federal.
Há uma convenção do PSDB marcada para 14 de junho, que pode ser atrasada até para o dia 30 de junho. Seria um ganho real em São Paulo, maior colégio eleitoral do país, ter um nome como Serra. O fato é que Serra e Neves nunca foram muito próximos, mas no que diz respeito a política isso não importa tanto.
É possível que Aécio fique esperando o que for possível. Há também expecatativa de que o PSD de Gilberto Kassab abandone a chapa de Dilma e indique um nome para o segundo cargo da chapa tucana. Domingo, porém, Fernando Rodrigues falou com Kassab e o ex-prefeito paulistano disse que a chance de abandonar a composição com o Governo é “perto de zero”, portanto é apenas especulação.
CPI da discórdia
A CPI da Petrobras no Senado nesta semana servirá para testar as forças do Governo contra a oposição. Na terça, será ouvido ex-presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli, e, na quinta, o ex-diretor da área internacional da companhia, Nestor Cerveró. Cerveró teria sido responsável por informar erroneamente Dilma Rousseff sobre a polêmica compra da refinaria de Pasadena, Texas, EUA.
O Governo Federal está muito confiante, entretanto, de que “desse mato não sai coelho”, e que não sai nada de relevante desses depoimentos. Terça, a oposição vai tentar fazer política. Iniciativa do Democratas colocará painel na Câmara colocando nomes, pressionando pela instalação de uma CPI mista, com deputados e senadores, para tentar avançar nas investigações no Senado. É grande o domínio do Palácio do Planalto sobre o que vai acontecer por lá.
Poderão ser aprovados ainda nesta semana requerimentos importantes sobre quebras de sigilos e pedindo acesso a todo o processo da operação Lava Jato da PF, que colocou gente ligada à Petrobras na cadeia.
A expetativa, no entanto, é que o Governo vá “embananar” tudo, fazer com que nada de relevante ocorra até o início da Copa do Mundo e prolongar até agosto, quando começa a campanha eleitoral e Brasília tende a ficar vazia.