Bênção para casais homossexuais divide opiniões entre evangélicos na França

  • Por Agencia EFE
  • 20/05/2015 06h22

Marta Garde.

Paris, 20 mai (EFE).- A adoção da bênção a casais do mesmo sexo pela principal igreja protestante da França passou a ser vista, no panorama religioso do país, como um avanço qualificado como simbólico e positivo por homossexuais e como “perturbador” por outras denominações evangélicas.

A decisão foi tomada no domingo, em um sínodo nacional no qual a Igreja Protestante Unida da França (EPUdF), que engloba luteranos e reformados, aprovou por ampla maioria – com 94 votos a favor e três contra – a possibilidade de abençoar esse tipo de união.

O texto tenta conciliar os que querem permitir o amparo dos casais homossexuais com os que se opõem a outorgar esse gesto litúrgico, por isso dá aos pastores a última palavra.

O casamento não é um sacramento para muitos protestantes, mas essa decisão abre a porta para que os casados no civil sejam abençoados nos templos.

O debate, como reconheceu à Agência Efe o presidente do conselho nacional da EPUdF, o pastor Laurent Schlumberger, foi “acalorado”, mas desembocou na convicção de que essa abertura poderia representar “a palavra comum” de sua igreja.

Essa corrente protestante, que conta com 110 mil membros ativos entre seus cerca de 400 mil fiéis, começou a trabalhar sobre esta questão “há 15 anos”, mas acelerou as discussões após a aprovação, em maio de 2013, da lei que autorizou na França o casamento homossexual.

Desde 2011, a Missão Popular Evangélica, uma igreja muito menor que a EPUdF, era a única do país a dar aos casais homossexuais “um gesto litúrgico de amparo”.

Esta nova aceitação, segundo Schlumberger, foi uma “questão pastoral, mais pragmática do que de doutrina”, razão pela qual ele prefere não avaliar seu significado para os homossexuais e a sociedade como um todo.

Para os LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais e Transexuais), este é “um passo simbólico” e “um avanço rumo a uma maior aceitação”, o que não exclui o fato de que é preciso “continuar com o combate”.

Sua importância, conforme explicou à Efe o porta-voz da associação, Nicolas Rividi, tem maior ou menor impacto segundo a fé de cada pessoa, mas a decisão, em sua opinião, “faz parte de um movimento global ao qual essa igreja acaba de entrar, e pode ser que outras façam o mesmo no futuro”.

Para o Conselho Nacional dos Evangélicos da França (CNEF), no entanto, a EPUdF abriu a caixa de Pandora: “não há dúvida de que essa decisão marcará de forma negativa as relações (dessa igreja) com os evangélicos e complicará também as relações com outras igrejas”.

O comunicado, publicado após as conclusões do sínodo, ressalta ainda que a resolução da EPUdF foi feita com base em “escolhas contestáveis”, entre elas a de abençoar uma prática “condenada sem dúvida pela Bíblia”. EFE