Brasil aparece em 69° em ranking de corrupção, aponta ONG
Juan Palop
Berlim, 3 dez (EFE).- A ONG Transparência Internacional (TI) divulgou nesta quarta-feira um ranking global que aponta a Dinamarca como os países menos corruptos do mundo, enquanto o Brasil aparece na 69ª posição e a Coreia do Norte e a Somália como piores avaliados.
O Índice de Percepção da Corrupção da TI, uma referência na luta contra os crimes financeiros, outorga também nesta edição as melhores notas globais à Dinamarca, Nova Zelândia e Finlândia, enquanto do outro lado estão Somália, Coreia do Norte e Sudão.
O ranking quase não se movimentou na região latino-americana, algo “lamentável, porque demonstra que os governos fizeram pouco para começar a enfrentar este problema com integridade”, disse em declarações à Agência Efe José Ugaz, advogado peruano nomeado em outubro presidente da TI.
Acima da média, como outros anos, estão o Chile, “cuja em sua administração pública há uma cultura da integridade”, e também o Uruguai, que no entanto não está isento de problemas, como falta de transparência em seu sistema financeiro.
O Uruguai e o Chile compartilham a 21ª posição da classificação global de 175 países, com 73 pontos (sobre um máximo de cem), seguidos por Porto Rico (posto 31, 63 pontos) e Costa Rica (posto 47, 54 pontos).
Esses países são seguidos por, embora já abaixo do aprovado, Cuba (posto 63, 46 pontos), Brasil (posto 69, 43 pontos), El Salvador (posto 80, 39 pontos), Peru (posto 85, 38 pontos), Colômbia e Panamá (ambas no posto 94, 37 pontos), Bolívia e México (ambos no posto 103, 35 pontos) e Argentina (posto 107, 34 pontos).
O ranking latino-americano também conta com Equador (posto 110, 33 pontos), República Dominicana e Guatemala (ambas no posto 115, 32 pontos), Honduras (posto 126, 29 pontos) e Nicarágua (posto 133, 28 pontos), e encerra com o Paraguai (posto 150, 24 pontos) e Venezuela (posto 161, 19 pontos).
Ugaz alertou sobre a impunidade, “quando o sistema político e legal de um país não atua com a suficiente rapidez e eficácia para localizar os comportamentos corruptos, puni-los e estabelecer precedentes legais para o futuro”.
A Dinamarca, com 92 pontos, a Nova Zelândia (91), a Finlândia (89), a Suécia (87) e a Noruega (86) lideram a classificação, com mínimas variações a respeito dos últimos anos.
De maneira similar, apenas com pequenas oscilações, na parte inferior da tabela seguem Somália e Coreia do Norte, ambos com oito pontos, seguidos pelo Sudão (11), Afeganistão (12) e Sudão do Sul (15).
Entre as grandes potências, os EUA aparecem no posto 17, atrás da Alemanha (12), Reino Unido (12) e Japão (15), mas bem longe do Brasil (69), Índia (85), China (100) e Rússia (136).
O TI destacou a queda de quatro posições sofrida pela China com relação ao ano passado, “apesar do governo chinês ter lançado uma campanha anticorrupção”, um “pobre resultado” similar ao de grandes empresas do gigante asiático.
Os maiores avanços foram registrados pelo Egito, que ganha 20 pontos, seguido por Tailândia, Honduras, Benin, Cazaquistão e Quirguistão.
O relatório também coloca as regiões em ordem decrescente de transparência, um ranking que é liderado pela Europa Ocidental (66 pontos), seguido das Américas (45), Ásia Pacífico (43), o Oriente Médio e Norte da África (38), Europa Oriental e Ásia Central (33) e África Subsaariana (33).
Este estudo, segundo Ugaz, demonstra “que quando líderes e funcionários de alto categoria abusam de seu poder e se apropriam de fundos públicos para benefício pessoal, há problemas no crescimento econômico e os esforços para conter a corrupção desaparecem”.
O presidente da TI mostrou a preocupação da organização pelo desenvolvimento de redes de criminalidade organizadas que, apoiadas nas novas tecnologias, transformaram a corrupção em “um fenômeno global de dimensão tremenda”.
“Não falamos de funcionários públicos, mas de redes globais que podem movimentar bilhões atravessando fronteiras apoiadas em empresas radicadas em paraísos fiscais”, advertiu. EFE
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