Carrasco mais famoso do EI, “Jihad John” é finalmente identificado

  • Por Agencia EFE
  • 26/02/2015 16h52
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Judith Mora.

Londres, 26 fev (EFE).- O britânico Mohammed Emwazi foi identificado nesta quinta-feira como “Jihad John”, o carrasco mais famoso do Estado Islâmico (EI), que aparece em vários vídeos de decapitações de reféns ocidentais encapuzado e falando com sotaque de Londres.

O jornal americano “The Washington Post” e a emissora britânica “BBC” revelaram a identidade do extremista, citando suas próprias fontes e sem que os serviços de inteligência britânicos a tenham confirmado de maneira oficial.

Embora um porta-voz do governo britânico tenha se recusado a “confirmar ou negar” o verdadeiro nome do “Jihad John”, se dá como certo que se trata de Mohammed Emwazi, um jovem de 26 anos nascido no Kuwait e que foi criado desde os seis anos no Reino Unido, onde em 2009 formou-se em Ciências Informáticas.

Uma das pessoas que o identificou, embora ressaltando que não pode ter “100% de certeza”, é Asim Qureshi, diretor de investigações da Cage, uma ONG britânica que combate os abusos cometidos contra os cidadãos em nome da luta contra o terrorismo.

Em entrevista coletiva, Qureshi, que assessorou presos de Guantánamo e outros suspeitos de terrorismo detidos sem acusações nem julgamento, entre eles Emwazi, sugeriu que o jovem, a quem conheceu em 2009, pode ter se radicalizado pelo tratamento recebido das forças de segurança do Estado.

Segundo Qureshi, os muçulmanos britânicos são acossados “sistematicamente” pelas forças de segurança desde os atentados de 11 de setembro de 2001 nos Estados Unidos e, especialmente, com o auge do terrorismo islamita em outros países.

“Desesperadamente tentou utilizar o sistema para reparar sua situação, mas o sistema o rejeitou”, declarou o diretor da ONG, que descreveu Emwazi que conheceu como uma pessoa “amável” e “humilde”.

Qureshi explicou que Emwazi, que supostamente viajou à Síria em 2013 para combater com o EI, chegou até a Cage após vários percalços com as forças de segurança britânicas.

Segundo essa organização, o britânico foi detido em 2009 com dois amigos no aeroporto de Dar-es-Salam quando, segundo eles, fariam um safári na Tanzânia.

Depois foram transferidos a Amsterdã e vários agentes, entre eles um do serviço de contraespionagem britânico MI5, lhes acusaram de querer viajar à Somália para unir-se a extremistas, o que eles negaram.

O agente do MI5 sugeriu a Emwazi que se transformasse em informante, o que o britânico rejeitou.

A partir de então, foi detido várias vezes no aeroporto londrino de Heathrow, onde foi interrogado, e foi proibido de viajar ao Kuwait, país onde nasceu em 1988, com o que perdeu a possibilidade de casar-se em duas ocasiões em uniões arranjadas.

Segundo mensagens de e-mail divulgadas pela Cage, em 2013 Emwazi muda seu nome para Mohammed al Ayan e finalmente desaparece de sua casa em Londres para ser localizado na Síria.

Batizado pela imprensa britânica como “Jihad John” por seu sotaque londrino, Emwazi é a figura encapuzada que aparece em vários vídeos de decapitações de reféns ocidentais.

Foi visto pela primeira vez em um divulgado pela internet em agosto do ano passado, no qual se exibia o assassinato do jornalista americano James Foley.

Também aparecia nos vídeos do EI que documentavam a decapitação do também jornalista americano Steven Sotloff, o voluntário britânico David Haine, o taxista também britânico Alan Henning e o voluntário americano Abdul-Rahman Kassig.

No mês passado, foi visto ainda no vídeo no qual apareceram os reféns japoneses Haruna Yukawa e Kenji Goto, antes que estes fossem assassinados pelo EI. EFE

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