Coreia do Norte faz ameaças por abertura de escritório da ONU em Seul

  • Por Agencia EFE
  • 25/06/2015 00h46

Seul, 25 jun (EFE).- A Coreia do Norte considerou nesta quinta-feira (data local) como uma “declaração de guerra” a abertura de um observatório da ONU sobre direitos humanos em Seul, a capital da Coreia do Sul, e ameaçou com “consequências catastróficas” nas relações bilaterais.

O escritório, inaugurado na terça-feira com objetivo de supervisionar e documentar abusos contra a população do regime de Kim Jong-un, “é uma ferramenta conspiradora e ilegal dos Estados Unidos e seus seguidores para afogar a República Popular Democrática de Coreia (nome oficial do país)”, disse a agência estatal “KCNA” em comunicado.

O Comitê para a Reunificação Pacífica da Coreia, que assinou o comunicado, assegurou que o governo sul-coreano e sua presidente, Park Geun Hye, “assumirão totalmente, a partir deste momento, a responsabilidade de todas as consequências catastróficas nas relações entre Norte e Sul”.

O Escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos (ACNUDH) foi aberto a pedido do Conselho de Direitos Humanos da ONU após o relatório de março do ano passado sobre os abusos praticados contra a população pela ditadura de Kim Jong-un.

O relatório, baseado em depoimentos de mais de 240 refugiados norte-coreanos, revelou evidências de extermínio, assassinato, escravidão, desaparecimento forçado, execuções sumárias, torturas e violência sexual, entre outros crimes perpetrados pelo regime de Pyongyang.

A Coreia do Norte, que considera que o relatório é inventado e obedece aos interesses dos EUA para derrubar seu regime socialista, voltou a qualificá-lo hoje como “um engano” e assegurou que o mesmo “carece de credibilidade por estar motivado pelo preconceito extremo e objetivos políticos insidiosos”, segundo o comunicado.

Desde a publicação do documento, a comunidade internacional aumentou a pressão sobre a Coreia do Norte. A Assembleia Geral da ONU aprovou em novembro uma resolução não vinculativa para levar ao Tribunal Penal Internacional (TPI) as violações de direitos humanos do regime norte-coreano.

O assunto passou para o Conselho de Segurança das Nações Unidas, mas ainda não foi submetido à votação nesse órgão, já que se assume que China ou Rússia, aliados da Coreia do Norte, exerceriam seu poder de veto para evitar que o caso chegue ao TPI. EFE