Eslováquia cria casa para sem-teto que se autofinancia com publicidade

  • Por Agencia EFE
  • 18/08/2014 07h03

Gustavo Monge.

Praga, 18 ago (EFE).- Uma pequena casa prática e funcional para pessoas sem-teto, cujos despesas são financiadas com propagandas enormes em cercas – ainda que essa ideia seja ainda um projeto, já despertou grande interesse entre os anunciantes da Eslováquia, país onde surgiu esta iniciativa que pretende oferecer moradia digna para quem não tem.

Sem luxos excessivos, nos 18 metros quadrados cabem quarto, cozinha, banheiro e um pequeno escritório, graças ao fato de que a superfície útil aumenta ligeiramente pela distribuição em dois níveis.

As casas seriam instaladas perto de estradas, em formato triangular para aproveitar a visão de ambas as direções, e fabricadas com madeira, alicerces de concreto e compensado, com um custo total de acessíveis 5 mil euros (R$15.041).

“Pensamos, primeiro, nas pessoas sem-teto, já que a renda das publicidades deveriam cobrir as despesas com energia. Será importante estabelecer a forma de escolher os moradores, fixando os critérios que deverão ser cumpridos e respeitados”, explicou à Agência Efe Matej Nedorolik, do estúdio de arquitetos Gregory And Solutions, que lançou a ideia na cidade de Banská Bystrica.

As reações positivas conseguidas até agora, principalmente na opinião pública internacional, despertaram o interesse dos criadores do projeto em explorar também outro tipo de público, além dos eslovacos sem-teto.

Lá, o projeto se justifica facilmente, já que as renda média de uma cerca publicitária é de 150 euros por mês (R$451), valor que cobre a eletricidade para a iluminação do cartaz e as despesas com energia da casa.

“Mas é muito provável que o valor desta publicidade ligada a casa-cerca aumente muito pelo enorme interesse que despertou na imprensa”, acrescentou Nedorolik.

O escritório de arquitetura concebeu modelos que, com o princípio de absoluta gratuidade, pretende adaptá-los às necessidades de cada lugar, em função de suas infraestruturas.

Os criadores não os patentearam nem exigirão qualquer comissão pelo uso desses desenhos, que poderão ser modificados por outros arquitetos e designers em regime de código aberto. Os protótipos atuais possuem acesso a redes de água e eletricidade, exigindo, portanto, infraestruturas básicas.

“Por enquanto, não tememos acordo internacional, mas estamos abertos a essa cooperação. Os estrangeiros percebem este projeto de forma muito diferente dos eslovacos. Todos os dias, pessoas ligam para a gente querendo fazer o projeto em seus países”, declarou o arquiteto por e-mail à Efe.

Sobre a localização das casas-cerca, Nedorolik reconheceu que colocá-las perto de estradas e rodovias pode criar alguns problemas aos inquilinos, não só de ruídos, mas também de segurança.

“Ali será mais complicado, porque há mais riscos devido aos altos limites de velocidade”, ao contrário dos bairros, onde a velocidade máxima é de 50 km/h, e das estradas secundárias com 90 km/h. EFE

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