As pequenas mentiras no meio de grandes absurdos de Ciro Gomes

  • Por Felipe Moura Brasil/Jovem Pan
  • 19/06/2018 12h00 - Atualizado em 19/06/2018 12h45
Bruno Lima/Jovem PanClaro que a mentirinha do pré-candidato é apenas um detalhe perto do autoritarismo de quem reitera na cara dura que receberia à bala autoridades

Em entrevista à Jovem Pan, Ciro Gomes disse ontem que “muitas vezes as pessoas retiram do contexto” o que ele diz e citou como exemplo a declaração de que receberia a turma de Sergio Moro na bala caso sua prisão fosse decretada.

Ouça a alegação do pré-candidato do PDT e repare no momento em que ele sorrateiramente nega que se referia ao juiz da Lava Jato em Curitiba, dizendo “não era Sergio Moro”.

CIRO: “E nesses tempos de cidadão, eu falo e reflito sobre algumas coisas e muitas vezes as pessoas tiram do contexto coisas que eu falei. Vamos tomar o [exemplo do caso] do Sergio Moro. Eu nunca disse isso sem uma brutal condicional. Que é uma obviedade. Eu disse, ó: se eu não fiz nada errado, e alguém – não era Sergio Moro – manda me prender, eu tenho todo o direito de receber à bala.”

Reparou?

Mas Ciro, com sua retórica habilmente acelerada, mentiu ao alegar que “não era Sergio Moro” de quem ele falava. Era, sim.

No vídeo original, Ciro fala da prisão de um blogueiro determinada por Moro e, em seguida, usando o pronome “ele” refere-se claramente ao juiz. Ouça.

CIRO: “Hoje esse Moro resolveu prender um blogueiro. Ele que mande me prender. Eu recebo a turma dele na bala.”

Ouça novamente apenas os trechos em que Ciro nega ter se referido a Moro e a declaração que comprova a mentira.

CIRO NA PAN: “E alguém – não era Sergio Moro – manda me prender, eu tenho todo o direito de receber à bala.”

CIRO ANTIGO: “Hoje esse Moro resolveu prender um blogueiro. Ele que mande me prender. Eu recebo a turma dele na bala.”

Pois é.

Claro que a mentirinha do pré-candidato é apenas um detalhe perto do autoritarismo de quem reitera na cara dura que receberia à bala autoridades em cumprimento de uma ordem judicial de prisão, em vez de se defender no eventual processo, como qualquer cidadão comum, por meio de alegações e recursos formais de seus advogados.

Mas é divertido encontrar pequenas mentiras no meio de grandes absurdos.