Discurso de Amoêdo é, de fato, uma novidade saudável

  • Por Felipe Moura Brasil/Jovem Pan
  • 15/08/2018 10h19
Rovena Rosa/Agência Brasil A demonização dos ricos honestos e a santificação de líderes populistas com frequência desonestos deseducam o povo

Mais rico dos presidenciáveis de 2018, com patrimônio declarado de 425 milhões de reais, o economista João Amoêdo, do Partido Novo, declarou, segundo a Folha:

“Gostaria de incentivar outras pessoas bem-sucedidas na vida privada a virem para a vida pública e mostrar que as pessoas que fizeram sucesso têm que ser admiradas, não criticadas. [Os eleitores] estão vendo uma pessoa que com esse patrimônio poderia ter ido para fora do Brasil, mas que está trabalhando há oito anos para melhorar o Brasil.”

Amoêdo acrescentou que prevê colocar até 1 milhão e 400 mil reais do próprio bolso na em sua campanha, o equivalente a até 20% do que o Novo pretende gastar.

O economista não quer financiar a campanha integralmente porque, segundo ele, “qualquer projeto só fará sentido se outras pessoas tiverem interesse em participar”.

Vale lembrar que o Novo rejeita a utilização de dinheiro público. Amoêdo escreveu no Twitter que os 2 bilhões e 600 milhões de reais destinados aos partidos equivalem a 240 mil crianças na escola durante 1 ano.

“Enquanto os políticos gastam dinheiro público para manter seus partidos e fazer campanha, falta escola de qualidade para milhares de crianças. O Brasil tem prioridades. Esse tipo de privilégio tem que acabar.”

Em todos esses pontos, o discurso de Amoêdo é, de fato, uma novidade saudável na política eleitoral brasileira.

Depois de décadas de controle esquerdista dos centros disseminadores de ideias da sociedade (ou seja: escolas, universidades, imprensa, show business e mercado editorial) e dos consequentes 14 anos de PT no poder, ficar rico com o próprio trabalho na iniciativa privada virou quase um crime, enquanto criminosos que roubam dinheiro público, para além daquele que seus partidos já abocanham, viraram as almas mais honestas deste país, porque alegadamente só querem o bem dos pobres.

A demonização dos ricos honestos e a santificação de líderes populistas com frequência desonestos deseducam o povo, porque fazem acreditar que a solução de seus problemas é mais interferência do Estado em suas vidas, não o esforço individual contra todos os obstáculos, inclusive os do Estado, como impostos, burocracia e corrupção.

Pouco conhecido do grande público, Amoêdo vem pontuando mal nas pesquisas eleitorais, mas a defesa do liberalismo econômico e o combate ao desperdício de dinheiro público e aos privilégios de políticos e servidores é mesmo um trabalho de longo prazo, do qual o Novo talvez só colha frutos mais altos daqui a muitos anos.