Em matéria de escárnio, nenhum presidenciável supera Ricardo Lewandowski

  • Por Felipe Moura Brasil/Jovem Pan
  • 13/08/2018 07h50 - Atualizado em 13/08/2018 14h36
Valter Campanato/Agência BrasilO ministro do STF que votou pela concessão de habeas corpus ao chefão petista disse que a “Justiça haverá de triunfar”

Estou de volta à Jovem Pan após duas semanas de férias da rádio, durante as quais a corrida eleitoral de 2018 esquentou com sabatinas e debate na TV.

Mas, em matéria de cinismo, ou melhor, de escárnio, nenhum dos presidenciáveis superou Ricardo Lewandowski.

Durante audiência com um grupo de militantes em greve de fome pela soltura de Lula, o ministro do STF que votou pela concessão de habeas corpus ao chefão petista disse que a “Justiça haverá de triunfar”.

O procurador Carlos Fernando Lima, da Lava Jato em Curitiba, ironizou no Facebook:

“A Justiça tem triunfado até aqui, apesar das forças poderosas e pouco escrupulosas que tem se unido contra a Lava Jato, especialmente com a responsabilização criminal de condenados por crimes graves do colarinho branco, inclusive corrupção. Além disso, há o retorno para os cofres públicos de valores significativos, historicamente sem precedentes no mundo.”

Ah, Carlos Fernando, dessa última parte Lewandowski sabe bem.

Para justificar o aumento de salário para mais de 39 mil reais que os ministros do STF aprovaram para si próprios, Lewandowksi alegou que só a recente devolução à Petrobras de 1 bilhão de reais feita pela Lava Jato é “uma quantia muito maior do que aquela que será remanejada, cortada de um dos setores do orçamento do Poder Judiciário”.

Essa quantia é de 717 milhões e 100 mil reais, segundo estimativas do Supremo.

Ou seja: protetor de Lula no STF e animador da militância petista, Lewandowski, na hora de justificar o aumento do próprio salário, valoriza o trabalho da Lava Jato, recuperou aos cofres públicos mais dinheiro que o aumento salarial e seu efeito cascata no Judiciário vão torrar.

Agora a Lava Jato é boa, né?

O escárnio venceu mesmo o cinismo.