Felipe Moura Brasil: Bolsonaro fala em ‘marginais vermelhos’, PT veste a carapuça

  • Por Felipe Moura Brasil/Jovem Pan
  • 23/10/2018 10h08
EFEÉ curioso que os petistas se sintam ameaçados quando o adversário fala em “marginais vermelhos”

Vinte pontos atrás de Jair Bolsonaro na pesquisa BTG divulgada na segunda-feira, Fernando Haddad vai apelar novamente à Justiça.

Para fazer manchete na imprensa, sua campanha divulgou que prepara uma série de ações contra Bolsonaro por incitação à violência e ao ódio e apologia ao crime.

O motivo, segundo os petistas, é o vídeo divulgado no domingo em que o presidenciável do PSL diz que “esses marginais vermelhos serão banidos de nossa pátria”.

O advogado da campanha do PT, Eugênio Aragão, já fala até que Bolsonaro cometeu um crime contra a humanidade, que é incitar a perseguição de grupos.

O próprio Haddad disse que Bolsonaro ameaçou a sobrevivência da oposição a ele.

É curioso que os petistas se sintam ameaçados quando o adversário fala em “marginais vermelhos”.

A frase anterior de Bolsonaro, omitida das manchetes, ainda evidencia que sua pregação era de que apenas quem não cumprisse a lei fosse para fora do país ou para a cadeia.

“A faxina agora será muito mais ampla. Se essa turma quiser ficar aqui vai ter que se colocar sob a lei de todos nós, ou vão pra fora ou pra cadeia.”

Claro que a frase seguinte, “Esses marginais vermelhos serão banidos de nossa pátria”, era desnecessária e inadequada, porque o banimento da pátria soa autoritário, mas Bolsonaro, além de usar um termo genérico sem individualização, nem sequer disse que ele próprio banirá os marginais, mas que os marginais serão banidos.

Um terrorista de esquerda condenado pela Justiça como Cesare Battisti, a quem Lula deu refúgio no Brasil e de quem Bolsonaro defende a extradição para a Itália, não poderia ser um exemplo de marginal vermelho a ser banido? Claro que poderia.

Sem contar que Bolsonaro pode recorrer à alegação favorita de Lula e José Dirceu: a de que usou apenas uma força de expressão, no caso para mostrar que marginal não terá moleza em seu governo, e que a sua pátria é, primordialmente, a dos cidadãos de bem.

Tanto que ele disse em seguida: “Ninguém vai sair dessa pátria, essa pátria é nossa e não é dessa gangue que tem bandeira vermelha e a cabeça lavada.”

Não sei se falar em gangue também faz os petistas se sentirem ameaçados, mas, juridicamente, as ações do partido não deverão ter o menor cabimento, a não ser que caiam com juízes tão vermelhos quanto o deputado do PT Paulo Pimenta, que ainda chamou Bolsonaro no Twitter de “corrupto” e “Anticristo”.

Como se chamar de extremista, fascista, nazista e Hitler já não fosse mais suficiente. Como se a demonização histérica não fortalecesse Bolsonaro.

Haja desespero na reta final do segundo turno.