Felipe Moura Brasil: Bolsonaro mereceu a vitória

  • Por Felipe Moura Brasil/Jovem Pan
  • 30/10/2018 09h49
Silvio Luiz/Jovem PanEnquanto os tucanos hesitavam em ir às ruas com os brasileiros, Bolsonaro, ainda que repudiado por alguns manifestantes, estava lá, chutando o Pixuleco

A primeira vez que entrevistei Jair Bolsonaro pessoalmente foi no meio da manifestação pelo impeachment de Dilma Rousseff, na Praia de Copacabana, em 31 de julho de 2016.

O vídeo está disponível no Youtube.

Enquanto os tucanos hesitavam em ir às ruas com os brasileiros que cobravam a aplicação da lei contra a petista, Bolsonaro, ainda que repudiado por alguns manifestantes, estava lá, chutando o Pixuleco em cima do carro de som e tudo.

“Se fosse aqui no chão, eu teria dado uma bicicleta”, brincou ele.

Bolsonaro criticou os demais políticos pela ausência:

“Eu não vi nenhum deputado federal aqui. Estadual, levei meu filho. Estive num dos movimentos em Fortaleza, muito bem recebido. Me deram um carro de som na Paulista, eu falei para quem estava do meu lado, umas 30 mil pessoas, fui aplaudido. Usei dois carros de som aqui.”

O movimento antipetista já havia mostrado a sua força com a autorização dada pela Câmara dos Deputados para que o processo de impeachment avançasse para o Senado.

Bolsonaro me disse sobre Dilma:

“Ela ainda não recebeu o cartão vermelho dela. A Câmara deu o amarelo apenas. O afastamento é importantíssimo. E nós estamos ao lado da lei. Queremos é cumprir a legislação para afastar definitivamente esse pessoal do poder.”

Em seguida, reiterou: “Nós, povo brasileiro, não queremos o poder pelo poder. Queremos o poder para exercer em nome do povo e da democracia.”

Quando perguntei se Bolsonaro seria candidato a presidente, ele disse que dependeria do partido, mas contou já ter mais de 10% de intenções de voto em pesquisa do Instituto Paraná e brincou que no Datafolha não, obviamente, mas ressaltou que, mesmo no Datafolha, havia aparecido em primeiro lugar no Centro-Oeste e no Sudeste na pesquisa espontânea e que ambas as regiões representavam 50% do eleitorado.

O deputado reclamou, então, de uma proposta que, na época, era defendida por Gilmar Mendes e José Serra:

“Querem também mudar a regra do jogo agora. Querem aqui o parlamentarismo. Estão com medo de mim por quê? Pessoa mais democrática que eu, impossível. Pode ter certeza disso.”

O resto é história.

O movimento antipetista contribuiu para que Dilma fosse afastada, para que Lula fosse preso e para que Bolsonaro fosse eleito presidente da República no domingo, 28 de outubro de 2018, com 55,13% dos votos, dois anos e três meses após aquela entrevista, tendo superado Fernando Haddad não só no Centro-Oeste e no Sudeste, mas também no Sul e no Norte.

Na segunda-feira, o Jornal Nacional perguntou a Bolsonaro o que ele tem a dizer àqueles que o acusam de ser um risco à democracia.

Ele respondeu:

“Primeiro dizer que as eleições acabaram. Chega de mentira. Chega de fake news.”

Neste ponto, é o mesmo Bolsonaro que eu entrevistei dois anos atrás.

Mas, naquela época, ninguém mais na imprensa levava sua candidatura a sério.