Felipe Moura Brasil: Povo nas ruas percebe diferença entre Bolsonaro e PT

  • Por Felipe Moura Brasil/Jovem Pan
  • 22/10/2018 09h26 - Atualizado em 22/10/2018 11h19
Bruno Rocha/Estadão ConteúdoEduardo foi infeliz, sim, na declaração e deveria assumir isso sem condicionantes, mas Jair Bolsonaro desautorizou até a versão extrapolada dela

Em ato de campanha no Maranhão, Fernando Haddad afirmou neste domingo (21) que Eduardo Bolsonaro ameaçou fechar o STF com uma intervenção militar.

O petista se referiu a um vídeo de quatro meses atrás no qual o deputado, na verdade, cita a brincadeira de um pessoal, que se supõe ser o da caserna, de que o STF, caso impugnasse a candidatura de seu pai, Jair Bolsonaro, poderia ser fechado por militares.

“O STF vai ter que pagar pra ver. E se pagar para ver, vai ser ele contra nós. Será que eles vão ter essa força mesmo? O pessoal até brinca lá: se quiser fechar o STF, sabe o que você faz? Não precisa nem de um jipe, você manda um soldado e um cabo, sem querer desmerecer o soldado e o cabo.”

Por mais desnecessária, inadequada e até idiota que seja a declaração, incluindo a brincadeira alheia citada, sempre se encontram exemplos piores no histórico petista.

Em abril deste ano, o deputado do PT Wadih Damous disse direta e objetivamente que “tem que fechar o Supremo Tribunal Federal”. Ele propôs para o lugar do STF a criação de uma Corte Constitucional, certamente nos moldes do PT.

Na ocasião, Haddad não comentou que Damous ameaçou fechar o Supremo. Tampouco falou o mesmo quando o também petista José Dirceu, três vezes preso, repetiu em setembro a tese de Damous e disse com todas as letras: “Primeiro, deveria tirar todos os poderes do Supremo e ser só Corte Constitucional.”

Nem Damous nem Dirceu pediram desculpas, muito pelo contrário. O próprio plano de governo de Haddad incluiu a proposta de instituir o controle social do Judiciário, além dos demais poderes e do Ministério Público.

Jair Bolsonaro, diferentemente de Haddad, afirmou neste domingo que, se alguém falou em fechar o STF, precisa consultar um psiquiatra. Disse também que “alguém tirou de contexto” a declaração de Eduardo. E o próprio Eduardo declarou: “Acredito que o vídeo não é motivo para alarde, até porque eu mesmo o publiquei em minhas redes sociais há quase quatro meses. Se fui infeliz e atingi alguém, tranquilamente peço desculpas e digo que não era a minha intenção.”

Eduardo foi infeliz, sim, na declaração e deveria assumir isso sem condicionantes, mas Jair Bolsonaro desautorizou até a versão extrapolada dela. Já Damous e Dirceu expressaram o mesmo objetivo petista, no máximo extrapolando, se tanto, o grau de controle que o partido de Haddad pretende exercer sobre a Justiça.

A vantagem de Bolsonaro sobre Haddad no primeiro turno, nas pesquisas do segundo e nas manifestações de rua deste fim de semana, indica que a maioria do eleitorado já havia entendido a diferença entre declarações idiotas desautorizadas pelo titular de uma chapa e projetos autoritários de poder disfarçados pelo titular camaleônico da outra.