Marco Aurélio Mello não se cansa de fuzilar o decoro

  • Por Felipe Moura Brasil/Jovem Pan
  • 26/06/2018 09h13 - Atualizado em 26/06/2018 09h36
Carlos Humberto/SCO/STFMarco Aurélio Mello não aceita a derrota em dois julgamentos fundamentais para a diminuição da impunidade no Brasil

As declarações de Marco Aurélio Mello à emissora portuguesa RTP de que a prisão de Lula é “ilegal” e “viola a Constituição” e de que a prisão em segunda instância só não é discutida no Supremo Tribunal Federal porque a presidente da Corte, Cármen Lúcia, é contra o assunto ilustram o comportamento mimado do ministro, que não aceita a derrota em dois julgamentos fundamentais para a diminuição da impunidade no Brasil.

Marco Aurélio foi voto vencido em 2016 quando o STF permitiu, por 6 votos a 5, a possibilidade de prisão após condenação por colegiado de segunda instância.

O ministro também foi voto vencido em 2018 quando o STF rejeitou, pelo mesmo placar de 6 votos a 5, o habeas corpus preventivo a Lula – e isso, vale lembrar, depois que o STJ também rejeitou o HC de Lula por 5 votos a 0, após, claro, as condenações em segunda instância por 3 a 0 e em primeira pelo juiz Sergio Moro.

Que Marco Aurélio ataque o Poder Judiciário brasileiro e em especial a própria instituição da qual ele faz parte, o STF, em entrevista a uma emissora estrangeira apenas agrava e vulgariza o comportamento mimado do ministro, que politiza a Justiça em uma pirraça internacional.

No julgamento do HC de Lula, Marco Aurélio já havia posado de paladino da racionalidade alegando que a sociedade brasileira fuzilaria os simplesmente acusados no paredão.

Ele, na verdade, é que não se cansa de fuzilar o decoro.