O trio da Segunda Turma tem dia de “libera-geral” no STF

  • Por Felipe Moura Brasil/Jovem Pan
  • 27/06/2018 08h07 - Atualizado em 27/06/2018 08h07
Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência BrasilNão há árbitro de vídeo que faça esse trio desistir de dar gol de mão contra o Brasil

Vou resumir as decisões desta terça-feira de Gilmar Mendes, Dias Toffoli e Ricardo Lewandowski, que formaram maioria na Segunda Turma do STF em vários julgamentos.

Eles trancaram uma ação penal contra Fernando Capez, cujo irmão, o juiz Ricardo Capez, trabalhou até recentemente como auxiliar de gabinete de Toffoli.

Confirmaram a soltura de Milton Lyra, lobista do MDB;

Acolheram pedido do casal petista Gleisi Hoffmann e Paulo Bernardo e anularam provas recolhidas pela Polícia Federal na busca realizada no apartamento funcional dela, no âmbito da Operação Custo Brasil;

Mandaram soltar João Cláudio Genu, operador do PP;

E a cereja do bolo: mandaram soltar também José Dirceu, mensaleiro petista condenado em segunda instância pelo petrolão e ex-ministro-chefe de Toffoli na Casa Civil do governo Lula.

Neste caso, o relator da Lava Jato no Supremo, Edson Fachin, pediu vista do processo, mas Toffoli sugeriu um puxadinho: conceder um habeas corpus de ofício a Dirceu, para evitar que ele ficasse preso durante o recesso do Judiciário, no que foi prontamente acompanhado por Lewandowski e Gilmar.

Com esta série de decisões, os ministros petistas e anti-Lava Jato se vingaram de Fachin, que havia encaminhado o novo recurso de Lula para julgamento no plenário do STF, o que só ocorrerá no segundo semestre, praticamente inviabilizando o registro da candidatura do presidiário e ainda reduzindo suas chances de libertação.

O libera-geral da Segunda Turma, que, como alertou Fachin, atropelou a decisão do plenário de autorizar a prisão em segunda instância, confirmou o que tantas vezes alertei aqui como alto risco: que Toffoli, Lewandowski e Gilmar iam de fato soltar Lula ontem mesmo, aproveitando-se da maioria circunstancial que formam e da distração dos brasileiros com a Copa do Mundo, se o relator não tivesse cancelado o julgamento do recurso anterior do petista, após o TRF-4 tê-lo barrado.

Não há árbitro de vídeo que faça esse trio desistir de dar gol de mão contra o Brasil.