Filha do rei da Espanha desiste de recurso e vai depor em caso de corrupção

  • Por Agencia EFE
  • 11/01/2014 11h25

Barcelona, 11 jan (EFE).- A infanta Cristina, filha do rei da Espanha, decidiu abrir mão do direito de recurso e decidiu voluntariamente atender à convocação do juiz que a chamou para prestar depoimento como acusada por supostos crimes de fraude fiscal e lavagem de dinheiro, anunciaram neste sábado seus advogados.

O escritório de advocacia Roca Junyent, que a defende, informa que a decisão de Cristina foi comunicada hoje ao tribunal de Palma de Mallorca onde o caso é investigado.

Os advogados ressaltaram em comunicado que a infanta não apresentará recurso para evitar uma demora do procedimento judicial e evitar a “incômoda e injusta” situação que está vivendo. Eles também destacaram que a filha mais nova do rei Juan Carlos “não tem nada que esconder” nem ao juiz instrutor “nem ao conjunto da sociedade espanhola”, porque não participou “de nenhuma atividade nem de nenhuma atuação que possa ser qualificada contrária ao direito e assim quer esclarecê-lo o mais rápido possível” perante o juiz.

O escritório que defende Cristina expressou sua “absoluta e firme divergência com os argumentos fáticos e jurídico-penais sobre cuja base foi decidida a convocação de sua alteza real para depor em qualidade de acusada”.

Por sua vez, a Casa Real, entidade que tem como missão apoiá-lo em suas atividades como chefe do Estado, avaliou hoje “muito positivamente” a decisão da infanta Cristina de não recorrer.

Na última terça-feira, o juiz José Castro, que investiga o denominado “caso Nóos”, comunicou a acusação da filha mais nova do rei Juan Carlos I e a convocou a prestar depoimento no dia 8 de março no processo sobre as supostas atividades corruptas do Instituto Nóos, ONG que era presidida pelo marido de Cristina de Bourbon.

O juiz Castro sustenta em seu auto que há indícios suficientes de que a filha do rei da Espanha usou a Aizoon, companhia patrimonial dela e de seu marido, “para cometer crimes fiscais”, recebendo verbas da ONG, e gastou fundos da empresa sabendo de sua origem ilícita.

Castro, que já havia acusado a infanta no ano passado, embora um mês depois tenha retirado a queixa, defende que tem a obrigação agora de convocá-la a depor para que dê conta de seu conhecimento dos supostos crimes fiscais cometidos pela Aizoon.

Esta empresa teria servido para canalizar os lucros das atividades ilícitas do Instituto Nóos, que obteve verbas públicas de forma irregular quando era presidida por Urdangarin.

Ontem, um de seus advogados afirmou que a infanta Cristina “confia, confiou e continuará confiando contra tudo e contra todos” em seu marido. EFE