Genro de Bin Laden descreve reunião horas depois dos atentados de 11/9

  • Por Agencia EFE
  • 19/03/2014 21h43

Nova York, 19 mar (EFE).- O genro de Osama bin Laden, Suleiman Abu Ghaith, descreveu nesta quarta-feira uma reunião com seu sogro poucas horas depois dos atentados de 11 de setembro de 2001 para discutir as consequências dos ataques, mas afirmou que nunca participou de atentados contra os Estados Unidos.

Abu Ghaith testemunhou de surpresa no tribunal federal que lhe julga por terrorismo em Manhattan, em uma declaração na qual, sob perguntas de seu advogado, explicou que foi convocado para ver Bin Laden na própria noite de 11 de setembro de 2001.

Na reunião, que aconteceu “em uma caverna em uma montanha” do Afeganistão, seu sogro lhe perguntou se tinha sabido dos atentados e lhe perguntou sua opinião.

O acusado disse que se os Estados Unidos comprovassem que os atentados eram obra da Al Qaeda, “não parariam” até conseguir duas coisas: “matar Bin Laden e derrubar o regime talibã” no Afeganistão.

Abu Ghaith, um imame kuwaitiano de 48 anos casado com uma das filhas de Bin Laden, disse que nas semanas seguintes participou da gravação de vários vídeos tanto com Bin Laden como seu “número dois”, o egípcio Ayman al-Zawahiri, considerado o atual líder da Al Qaeda.

Em um desses vídeos, advertiu que uma “tempestade de aviões” cairia sobre os Estados Unidos, mas hoje assegurou que sua participação nessas gravações se baseava nos elementos indicados por seu sogro.

Questionado por seu advogado, Stanley Cohen, Abu Ghaith assegurou que não estava ciente dos planos do grupo de cometer atentados e rejeitou ter participado da preparação de ataques contra os Estados Unidos.

Além disso, Abu Ghaith afirmou que nunca se tornou um membro da Al Qaeda, mas reconheceu que, como imame, pronunciava discursos de caráter religioso aos combatentes islâmicos que se formavam em campos de treinamento no Afeganistão.

Abu Ghaith, que foi extraditado no ano passado, é a maior figura vinculada à Al Qaeda julgada nos Estados Unidos desde o 11 de setembro, é acusado de fomentar o terrorismo contra os Estados Unidos e pode ser condenado à prisão perpétua se for considerado culpado. EFE