Governo avalia que corrupção na Petrobrás custou 1% do PIB de 2015
Brasília, 5 ago (EFE).- O governo brasileiro calcula que a corrupção na Petrobras teve um impacto negativo na economia equivalente a 1% do Produto Interno Bruto (PIB), afirmou o ministro-chefe da Casa Civil, Aloizio Mercadante, nesta quarta-feira.
“É evidente que a investigação tem impacto” na atividade econômica, disse Mercadante na Comissão de Minas e Energia da Câmara dos Deputados, em que analisou o delicado momento econômico do país e seu impacto na indústria naval brasileira.
O ministro confirmou relatórios de consultorias privadas, que calculam que a economia perdeu o equivalente a 1% do PIB devido ao impacto da operação Lava Jato, que não só afeta a estatal, mas também as maiores companhias privadas do país na área de construção.
Segundo Mercadante, “o combate à corrupção é benéfico para a governabilidade e também para a democracia, mas tem um impacto econômico”.
O ministro explicou que o nível de investimentos das empresas privadas envolvidas no esquema caiu ao mínimo, o que repercute em toda a atividade econômica do país.
Não ajudou a economia, segundo Mercadante, o fato de o escândalo ter surgido em uma época de queda dos preços das matérias-primas, o mais importante setor de exportações do país, e com novas turbulências cambiais, que diminuíram o valor da moeda brasileira e influenciaram a inflação, que especialistas privados calculam que chegará este ano a 9,5%.
Em relação à indústria naval, que teve um extraordinário desenvolvimento nos últimos anos graças a Petrobras, e que agora sofre com a situação da companhia petrolífera estatal, Mercadante admitiu que passará por um período de reestruturação.
Atualmente o Brasil conta com nove estaleiros, que empregam cerca de 69 mil trabalhadores, mas o ministro reconheceu que alguns deles “talvez” não superarão o momento atual e que haverá um aumento do desemprego no setor.
“Não podemos afirmar que todos os estaleiros sobreviverão, mas os melhores continuarão”, declarou.
No entanto, sustentou que a situação atual “é melhor do que a que o setor vivia há uma década, quando só havia três estaleiros, com 7.465 empregados”. EFE
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