Hondurenhos em greve de fome marcham para escritório da ONU contra impunidade

  • Por Agencia EFE
  • 22/07/2015 18h26

Tegucigalpa, 22 jul (EFE).- Pelo menos 11 hondurenhos em greve de fome, alguns deles desde o dia 23 de junho, marcharam nesta quarta-feira pelas ruas de Tegucigalpa, capital de Honduras, para exigir a criação de uma Comissão Internacional Contra a Impunidade no país.

A caminhada começou a poucos metros da Residência Presidencial e se dirigiu rumo à sede da ONU na capital hondurenha, onde os manifestantes exigiram apoio da organização internacional para que se instaure no país uma Comissão Internacional Contra a Impunidade.

“Buscamos mostrar ao mundo que, apesar de caminharmos devagar, chegaremos às Nações Unidas para tentar fazer com que se comprometam a interceder na instalação da Comissão Internacional Contra a Impunidade”, disse aos jornalistas Vitalino Álvarez, um dirigente do Movimento Unificado Camponês de Aguán (Muca) que está há 14 dias em greve de fome.

Os grevistas também exigem a renúncia do presidente hondurenho, Juan Orlando Hernández, e punição para os culpados de um rombo milionário no Instituto Hondurenho de Previdência Social, acrescentou.

O rombo na previdência é um de pelo menos 12 casos de corrupção revelados na Justiça de Honduras que afetam os últimos três governos, presididos por Manuel Zelaya, Porfirio Lobo e Hernández.

“Os corruptos nos deixaram de joelhos e por isso pedimos ao povo que não nos abandone, que se solidarize e faça o que tiver que ser feito para dobrar a este governo”, enfatizou Álvarez.

Os hondurenhos em greve de fome estão sendo monitorados por médicos, consomem água, mel de abelha e soros intravenosos, mas, mesmo assim, alguns já apresentaram problemas de saúde.

Cinco jovens que estavam em greve de fome desde 23 de junho abandonaram ontem o protesto por problemas de saúde e supostas diferenças com o diretor do Centro de Pesquisa e Promoção de Direitos Humanos, Wilfredo Méndez, que na semana passada se juntou ao protesto.

Além disso, Hernán Silva, de 44 anos, foi retirado no último dia 3 por um transtorno de saúde após 11 dias de greve de fome.

Os grevistas, que a princípio eram quatro e agora já são mais de 20, fazem parte de um movimento social chamado “indignados”, que foi criado em maio, e rejeitam o diálogo “incondicional” proposto no dia 23 de junho pelo presidente hondurenho.

Além das conversas, Hernández também propôs um Sistema Integral Hondurenho de Luta contra a Corrupção e a Impunidade, que seria dirigido por juízes e promotores nacionais e estrangeiros. EFE