A importância de Marina Silva no segundo turno da eleição presidencial

  • Por Jovem Pan
  • 07/10/2014 16h33
Marina SilvaMarina Silva

Dilma teve 53.267.438 votos (41,59%) e Aécio Neves contabilizou 34.897.196 votos (33,55%). A diferença é de 8,37 milhões. Agora, os candidatos vão brigar pelos 22,176 milhões de Marina Silva.

Vai depender da capacidade de Dilma e Aécio convencerem os eleitores de Marina. Os dois candidatos finalistas chegam ao segundo turno em situação distinta com relação ao ânimo do eleitor. Aécio terminou o primeiro turno subindo e Dilma terminou parada.

Marina é a primeira terceira colocada na história de eleições presidenciais brasileiras que, por duas eleições consecutivas, fica na faixa dos 20% dos votos.

Isso significa que ela, de fato, representa uma boa parcela do eleitorado e será cortejada pelos dois finalistas, Dilma e Aécio.

O presidente nacional do PSB, Roberto Amaral, disse que, se Marina Silva for omissa e não apoiar ninguém, será muito criticada. Se apoiar Dilma, dará a entender que traiu o que falou na campanha sobre nova política.

Marina, entretanto, também tem dificuldades de abertamente apoiar Aécio Neves, porque será tachada de estar caminhando à direita do espectro político, o que também seria contraditório com o que ela disse durante a campanha.

Andrea Matarazzo, do PSDB, contradisse Amaral e avaliou: Marina Silva fez uma campanha sendo oposição ao governo atual. Ela falou em mudanças e, se ela tem duas opções, uma é de continuidade, com Dilma Rousseff, outra é de mudanças, com Aécio.

Diferente de 2010, quando decidiu não apoiar ninguém no segundo turno, Marina será muito pressionada a tomar uma posição.

Isso deve se resolver ainda nesta semana.

Nesta segunda e terça, Roberto Amaral disse que vai fazer contato com governadores do partido que foram eleitos ou alcançaram o segundo turno. Já na quarta, em Brasília, há uma reunião agendada do PSB para que seja tomada uma posição a respeito do segundo turno presidencial deste ano.

A decisão

Ao se aliar com alguém, Marina vai modular muito o discurso e terá que encontrar uma fala que seja capaz de se comunicar com seus eleitores sem produzir muitas perdas, sem ameaçar o patrimônio construído para si própria.

Há que se lembrar uma decisão solitária que Marina tomou em 2013, de se filiar ao PSB e aliar-se a Eduardo Campos. Marina fez isso a contragosto da Rede Sustentabilidade. Alguns militantes de Marina haviam ficado chateados.

A tendência é que essa seja mais uma decisão muito solitária. E deve ser pensando em seu futuro político.

O que ganhou Marina, apesar de sair derrotada? Ela ampliou os votos em relação a 2010 (de 19% a 21%). Dois pontos porcentuais são muita coisa em uma eleição presidencial.