Irã e Grupo 5+1 prolongam por mais 3 dias prazo para fechar acordo

  • Por Agencia EFE
  • 07/07/2015 17h26

Jordi Kuhs.

Viena, 7 jul (EFE).- O Irã e os países do Grupo 5+1 (Estados Unidos, China, França, Reino Unido e Rússia, mais a Alemanha) prorrogaram mais uma vez nesta terça-feira as negociações com a esperança de chegar a um histórico acordo durável que encerre os 13 anos de disputa sobre o controverso programa nuclear iraniano.

“Honestamente, estamos mais preocupados com a qualidade do acordo do que com o relógio. Sabemos que o tempo não facilitará tomar as difíceis decisões, então seguimos negociando”, resumiu a situação em comunicado a porta-voz do Departamento de Estado dos EUA, Marie Harf.

O G5+1 negocia com o Irã há 20 meses para chegar a um acordo que limite o programa atômico do país, de modo que não possa fabricar armas.

Os ministros das Relações Exteriores desses países, exceto os de EUA, Irã e Alemanha, saíram de Viena com a promessa de retornar nos próximos dias.

A chefe da diplomacia da União Europeia (UE), Federica Mogherini, que coordena o trabalho do G5+1, afirmou que a negociação está mais “delicada” e insistiu que agora é o momento de se chegar a um acordo.

Apesar das críticas que chegam dos Estados Unidos e do governo de Israel a Viena, as partes estão empenhadas em fazer todo o possível para firmar esse acordo, ignorando várias vezes os próprios prazos estipulados.

As delegações, com centenas de diplomatas e analistas, estão em Viena desde 26 de junho com o objetivo de chegar a um acordo em cinco dias. No entanto, o prazo foi prorrogado até hoje devido à impossibilidade de superar as últimas diferenças.

Principais atores desse drama diplomático, o secretário de Estado americano, John Kerry, e seu colega iraniano, Mohammed Javad Zarif, estão em Viena há 12 dias e já se reuniram 12 vezes, tanto a sós como em grupos maiores. Apenas o iraniano saiu da capital austríaca por um dia para receber novas instruções de Teerã.

Os demais ministros das Relações Exteriores saíram e voltaram, alguns duas vezes, sempre para participar de intensos debates, que, como ontem, ocorreram até a madrugada.

O ministro russo, Sergei Lavrov, declarou que houve um avanço em direção a um acordo em alguns dos temas mais difíceis. Assim, parece evidente que as sanções econômicas que pesam sobre o Irã serão suspensas gradativamente e não de uma vez só, como quer Teerã.

O que continua sendo um empecilho é o embargo de armas imposto pela ONU, que o Irã pede que seja retirado e os EUA se recusam. Enquanto isso, outros países, como a Rússia, parecem ter uma postura distinta sobre o assunto. Nada indica que os ocidentais cederão nesse ponto, segundo vários diplomatas.

Uma fonte americana ligada às negociações comentou nesta terça-feira que o já existente embargo de armas e mísseis que pesa sobre o Irã será mantido no acordo final. Desse modo, os debates e pedidos de ambas as partes para tomar “decisões difíceis” continuarão durante pelo menos três dias.

Os ocidentais consideram que é principalmente o Irã que deve ceder e finalmente aceitar as condições propostas para se livrar das sanções.

Por sua vez, os iranianos argumentam que não estão sob nenhum tipo de pressão, nem quanto ao tempo nem quanto às condições do eventual acordo, e que são os Estados Unidos que devem percorrer “essa distância extra”.

“Eles (EUA) devem escolher entre a cooperação e o acordo ou seguir com sua política de coerção”, concluiu um negociador iraniano na noite de ontem em entrevista à imprensa em Viena.

Desde a primeira cúpula negociadora, em fevereiro de 2014, o diálogo já foi prorrogado três vezes com a noção de que será difícil encontrar uma oportunidade como esta para acabar com um conflito que já dura mais de uma década.

A base do acordo significa impor grandes limitações ao programa nuclear iraniano durante pelo menos dez anos, de modo que o país não possa fabricar uma arma nuclear em curto prazo.

Em troca dessas concessões, que sempre deverão ser verificadas e controladas pela agência nuclear da ONU, o Irã será compensado com uma suspensão das sanções.

Neste momento são buscados em Viena os detalhes técnicos e legais desse tratado, que teria cerca de 80 páginas no total. EFE

jk-as/vnm/rsd