Jornalistas da “Al-Jazeera” são presos no Egito acusados de terrorismo

  • Por Agencia EFE
  • 02/01/2014 15h59

Cairo, 31 dez (EFE).- O Ministério do Interior do Egito ordenou nesta terça-feira a prisão preventiva por 15 dias de três jornalistas do canal em inglês da emissora “Al Jazeera”, detidos há dois dias e acusados de adesão a um grupo terrorista, informou um comunicado do canal.

Os detidos são o australiano Peter Greste, o egípcio com passaporte canadense Mohamed Fawzy e o egípcio Baher Mohamed. O canal informou ainda que foi liberado um quarto detido, o operador de câmera, Mohamed Fawzi.

Os jornalistas são acusados, além disso, de divulgar propaganda, emitir comunicados, informações e rumores falsos sobre a situação interna do Egito, semear o terror entre a população e causar danos ao interesse público, informou a agência oficial de notícias, “Mena”.

O grupo está sendo incriminado ainda por portar aparelhos de emissão de rádio e televisão não autorizados, e possuir e difundir fotografias falsas, que podem prejudicar a reputação do país, informou a “Mena”, que acrescentou que os serviços de segurança confiscaram uma câmera, microfones, computadores e aparelhos de montagem.

A “Al Jazeera” declarou que a prisão de seus jornalistas é “abusiva” e pediu a libertação imediata.

A emissora afirmou ainda que “desde o golpe de Estado de 3 de julho”, em alusão à deposição do então presidente Mohamed Mursi, seus jornalistas no Egito “sofrem assédio por parte das forças de segurança do país, embora a emissora trabalhe no Egito de maneira oficial”.

Contudo, o Centro de Informação do governo egípcio assegurou em comunicado que “os detidos não se encontram entre os correspondentes estrangeiros credenciados” e nem fazem parte da folha apresentada pela “Al Jazeera” para a solicitação de credenciamento no país para 2014.

Após o golpe militar que depôs Mursi, em julho deste ano, as autoridades começaram uma campanha contra a “Al Jazeera”, fechando o canal que transmite ao vivo para o Egito e detendo alguns de seus jornalistas. EFE