Paquistão garante que mulá Omar não morreu em seu território

  • Por Agencia EFE
  • 07/08/2015 07h40

Islamabad, 7 ago (EFE).- O ministro da Defesa paquistanês, Khawaja Asif, garantiu nesta sexta-feira no parlamento que o falecido líder dos talibãs, o mulá Omar, não morreu nem está enterrado no Paquistão e ressaltou que seu país não controla os insurgentes.

“Posso confirmar que o mulá Omar não morreu nem está enterrado no Paquistão. Se morreu agora e não há dois anos é uma controvérsia da qual não podemos fazer parte”, disse o ministro.

O mulá Omar “nunca esteve em Karachi nem em Quetta”, destacou Asifm contradizendo a versão do governo afegão que anunciou na semana passada a morte do líder talibã em um hospital da cidade paquistanesa de Karachi em abril de 2013.

Além disso, o responsável da pasta da Defesa assegurou que seu país “não controla” os talibãs afegãos e que só exerce um papel de “mediador” nas negociações entre os insurgentes e o governo do Afeganistão, cujo primeiro encontro aconteceu em solo paquistanês no último dia 7 de julho.

O governo afegão anunciou no último dia 29 de julho que, com base em relatórios remetidos pelo governo paquistanês, o mulá Omar, que não tinha sido visto em público desde 2001, tinha morrido em um hospital de Karachi.

A informação, inicialmente vazada à imprensa, e depois confirmada tanto pela agência de inteligência afegã como pelo presidente, Ashraf Ghani, surgiu um par de dias antes do início da segunda rodada de negociações de paz entre governo e talibãs.

Essa reunião, que aconteceria novamente no Paquistão, foi cancelada após o anúncio da morte de Omar a pedido dos talibãs e não se anunciou uma nova data.

O mulá Omar liderou o grupo talibã em 1994 em plena pós-guerra do conflito afegão-soviético e governou o Afeganistão com mão de ferro entre 1996 e 2001, ano em que a invasão americana acabou com esse regime por dar abrigo a Osama bin Laden, líder da rede Al Qaeda, que atentou contra as Torres Gêmeas. Desde então, tinha estado em paradeiro desconhecido.

Após reconhecer a morte de seu líder, os talibãs anunciaram a designação do mulá Ajtar Mansur como seu novo chefe, uma decisão rejeitada por parte do grupo insurgente e que abriu uma briga interna pelo controle dessa organização. EFE