Paraguai quebra paradigmas com Miss Gordita, concurso contra a discriminação

  • Por Agencia EFE
  • 25/04/2015 20h31

Santi Carneri.

Assunção, 25 abr (EFE).- O Miss Gordita, um concurso de beleza cujo principal requisito para participar é pesar pelo menos 70 quilos, se transformou na voz de denúncia contra a discriminação sobre as pessoas com obesidade no Paraguai, onde mais da metade da população sofre com o sobrepeso.

Um grupo de 13 jovens paraguaias, trabalhadoras e estudantes, participaram da cerimônia realizada na madrugada deste sábado em um clube noturno da capital Assunção e da qual saiu vencedora Raquel Jiménez, de 24 anos.

Antes, Jiménez e as demais candidatas precisaram desfilar em três ocasiões pela passarela: uma com roupa casual, outro com vestido de gala e por último com traje de banho, a novidade da quarta edição deste concurso criado no Paraguai por um brasileiro.

Sem nenhum complexo, com ousadia e elegância, embora com alguns tropeços, as participantes, que estavam há meses se preparando para esta noite, foram o centro da atenção de centenas de moradores de Assunção e até da imprensa internacional.

O prêmio principal consiste em um tratamento com um dos melhores nutricionistas do Paraguai e em um programa de um ano de exercícios em uma academia de Assunção, além de roupas.

Mas, na prática, transforma a Miss Gordita em uma “embaixadora contra a discriminação às pessoas com sobrepeso”, como batizaram os meios de comunicação paraguaios a vencedora do ano passado, Cintia Colina.

Desde então, Colina participou de programas de rádio e televisão reivindicando uma lei contra toda forma de discriminação, um papel de conscientização que Jiménez está disposta a seguir.

“Acho que posso ser a porta-voz de várias mulheres do Paraguai, porque mais de 57% têm sobrepeso, são pessoas que não são levadas em conta pela moda. É como se não tivéssemos direito a viver nem brilhar”, disse Jiménez à Agência Efe, horas antes de ganhar o concurso.

Jiménez fala por experiência própria, pois confessa que “a discriminação foi meu pão de cada dia. A maldita discriminação”.

“Como muitas outras pessoas, me formei, me esforçava e não me reconheciam pelo simples fato de ser obesa”, lamentou.

Desde que foram selecionadas há quatro meses entre centenas de candidatas de todo o país, as jovens, de entre 70 e 130 quilos, aprenderam a desfilar e a maquiar-se de forma profissional, além de receber consultas de um nutricionista e de uma psicóloga.

Tudo para reforçar um concurso que quebra paradigmas no Paraguai e que foi criado pelo produtor brasileiro Mike Beras com o objetivo de elevar a autoestima das meninas.

“Queremos gerar uma mudança de atitude, de postura mais forte e de vida mais saudável, com exercício e boa alimentação”, explicou Beras à Efe. EFE

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