Principais líderes do Sendero Luminoso responderão a julgamento na prisão

  • Por Agencia EFE
  • 20/01/2014 21h06

Lima, 20 jan (EFE).- Dez dos 12 ex-membros da cúpula do grupo terrorista peruano Sendero Luminoso enfrentarão na prisão o julgamento que começou nesta segunda-feira pelo atentado na rua Tarata, no distrito de Miraflores, que deixou 25 mortos e 150 feridos em 1992, decidiu a justiça do Peru.

A audiência aconteceu em uma sala da Base Naval do Callao e teve a participação do fundador do Sendero, Abimael Guzmán, sua esposa Elena Iparraguirre, Margie Cravo, Osmán Morote, Margot Liendo, Óscar Ramírez, Florentino Cerrón, Edmundo Cox, Laura Zambrano, Florindo Flores, Elizabeth Cárdenas e Moisés Límaco.

O promotor do caso, Jhonny Soto, declarou que Guzmán reconheceu diante da Comissão da Verdade e Reconciliação que o atentado de Tarata foi “um erro crasso” e que os dirigentes do Comitê Executivo Nacional assumiram responsabilidade pelo fato.

Um comando senderista deixou em julho de 1992 dois carros-bomba carregados com 500 quilos de explosivos na rua Tarata, matando 25 pessoas, destruindo vários edifícios e deixando outros 150 feridos.

O advogado de Guzmán, Alfredo Crespo, pediu à sala que defina o comparecimento para Osmán Morote, Margot Liendo e Moisés Límaco, que este ano completam suas penas.

Segundo Crespo, este processo “não faz sentido” porque os fatos prescreveram.

“O que ocorreu em nosso país foi bastante sangrento e as vidas perdidas são valiosas, mas é preciso ver o contexto no qual se deu. Consideramos que pelo tempo transcorrido o caso já prescreveu. Além disso, já foram condenados os atores diretos, materiais deste fato”, disse Crespo aos jornalistas antes do início da audiência.

Ao contrário da última aparição pública de Guzmán há 10 anos, quando se mostrou desafiador para os jornalistas e posou com o punho esquerdo em riste em um julgamento anterior, hoje permaneceu em seu assento e de costas para a imprensa.

O fundador do Sendero, que era chamado de “presidente Gonzalo”, tem 79 anos e cumpre prisão perpétua por terrorismo. Já os demais membros da cúpula senderista têm penas menores.

Seu advogado disse que Guzmán “não se exime da responsabilidade política de tudo o que ocorreu em nosso país”. “Não existe nenhuma prova que Abimael Guzmán ou o Comitê Central (do Sendero Luminoso) tenham dado a ordem para executar Tarata. As próprias investigações da polícia determinaram que a ordem veio de um comitê no centro de Lima”, assinalou.

A sala acolheu o pedido da promotoria de prisão preventiva para Guzmán, Iparraguirre, Cravo, Morote, Liendo, Ramírez, Cerrón ,Cox, Zambrano e Flores, enquanto Cárdenas e Límaco não estão compreendidos nesta medida.

Ao término da audiência, Crespo qualificou de negativo a maioria da cúpula senderista tenha prisão preventiva.

“O objetivo é desprestigiar os dirigentes, perseguir os que já cumpriram pena, perseguir os advogados, os parentes e manter um clima de ódio, vingança e perseguição política”, enfatizou.

Crespo insistiu no pedido de liberdade para os antigos líderes do Sendero, tal como promovido para os seguidores de Guzmán há anos.

“Nós pensamos que o que é necessário é uma reconciliação nacional, uma anistia geral para civis, militares e policiais”, sustentou.

De acordo com o relatório da Comissão da Verdade e a Reconciliação, o Sendero Luminoso foi o principal responsável por cerca de 69 mil mortos e desaparecidos durante o conflito interno do Peru, entre 1980 e 2000. EFE

dil-mmr/cd