Promotoria acusa genro de Bin Laden de fomentar terrorismo contra EUA

  • Por Agencia EFE
  • 05/03/2014 21h03

Nova York, 5 mar (EFE).- A Promotoria no julgamento por terrorismo contra Sulaiman Abu Ghaith, o genro de Osama bin Laden, afirmou nesta quarta-feira que o acusado fomentou o terrorismo islâmico contra os Estados Unidos após os atentados do 11/9.

Abu Ghaith empregou o “poder assassino de suas palavras” para promover o ódio contra os Estados Unidos e atemorizar a população após os atentados de 11 de setembro de 2001, afirmou nesta quarta-feira o promotor Nicholas Lewis durante a primeira audiência do processo.

A primeira audiência começou hoje em um tribunal federal de Manhattan com a apresentação das alegações da Promotoria e da defesa, depois que o processo de seleção do júri se estendeu por dois dias.

Lewis insistiu que Abu Ghaith, um antigo imame, empregou seu talento oratório para promover o terrorismo e recrutar militantes contra os Estados Unidos.

Por sua vez, o advogado defensor, Stanley Cohen, afirmou ao júri que tinham estado “no cinema” já que, em sua opinião, o argumento da acusação era mais própria de um filme.

Após a audiência, Cohen declarou que as contínuas menções da acusação a Osama bin Laden apontam a “uma estratégia” da acusação de criar “uma cortina de fumaça onde não há provas”.

Ele afirmou que no julgamento é mencionado continuamente o líder da Al Qaeda, mas insistiu que “aqui não se julga Bin Laden”.

Abu Ghaith teria estado em Al Qaeda junto a Bin Laden e seu ajudante Ayman al-Zawahiri após os atentados de 2001, atuando como porta-voz ocasional, apoiando a incumbência da rede terrorista e alertando de ataques “similares aos do 11/9”, acrescenta a acusação.

O acusado aparecia, segundo as autoridades americanas, em um vídeo divulgado no dia seguinte aos atentados junto às duas máximas figuras da Al Qaeda. Nessa gravação, advertia aos Estados Unidos e seus aliados que “um grande exército estava reunindo contra si”, e chamava “à nação do Islã” para combater os “judeus, os cristãos e os americanos”.

Abu Ghaith é o principal suposto responsável da Al Qaeda que é julgado pela justiça ordinária, já que até seu caso as autoridades dos Estados Unidos tinham optado pela justiça militar e o internamento dos suspeitos no centro de detenção da base naval de Guantánamo, em Cuba.

Calcula-se que o processo poderia se estender por três semanas, e se o acusado for declarado culpado da acusação de conspiração para assassinar a cidadãos americanos poderia ser condenado a uma sentença máxima de prisão perpétua.

Abu Ghaith, que se declarou inocente, nasceu no Kuwait há 47 anos, e está casado com a filha mais velha de Bin Laden, Fátima. Foi para o Afeganistão no ano 2000, e escapou do país dois anos depois rumo ao Irã, onde permaneceu detido durante anos, segundo ele mesmo informou às autoridades.

Posteriormente, foi para a Turquia, em janeiro de 2013, onde após estar um tempo detido ficou livre, e pegou um avião o 28 de fevereiro para ver a família no Kuwait, segundo seu relato. O voo foi desviado à Jordânia, e Abu Ghaith foi detido e entregue às autoridades americanas em março do ano passado. EFE