Referendo eslovaco contra casamento homossexual não atinge número exigido

  • Por Agencia EFE
  • 07/02/2015 21h28

Praga, 7 fev (EFE).- O referendo realizado neste sábado na Eslováquia contra o casamento homossexual e a adoção por casais do mesmo sexo não teria superado o umbral de 50% de participação, requisito para sua validade.

“Minha estimativa pessoal é de 30% ou 35%”, declarou aos meios de comunicação eslovacos Martin Poliacik, subsecretário da Comissão Eleitoral Central.

“Nas cidades grandes era esperada uma maior participação do que a real”, acrescentou Poliacik ao canal privado “TA3”.

Este resultado também foi aceito por Anton Chromik, porta-voz da Aliança pela Família (AZR), promotor da consulta, para a qual a AZR reuniu 400 mil assinaturas.

Chromik declarou à “TA3” que, apesar de não ter conseguido superar o umbral de 50%, “é um êxito e é preciso celebrar que tenha ocorrido a consulta”.

Martin Macko, da organização em defesa dos direitos LGTB “Inakosti”, que em eslovaco significa “de outro tipo”, considera que o referendo teve algo de positivo, pois “começou a falar do tema das minorias sexuais e isto chegou à opinião pública”.

“É positivo que tenha inspirado gente da comunidade (LGBT) a comparecer aos meios de comunicação e se apresentar com sua família. Há um par de anos teria sido impensável”, acrescentou.

Os cerca de 5 mil colégios eleitorais fecharam às 22h local (19h, em Brasília) em uma jornada que se desenvolveu sem incidentes.

Os resultados definitivos serão revelados durante a segunda-feira, enquanto ao longo da noite do domingo haverá dados preliminares.

As três perguntas do referendo tratavam sobre a definição do casamento como união exclusiva entre homem e mulher, a adoção por parte de homossexuais e a possibilidade das crianças não receberem educação sexual se os pais não estiverem de acordo.

A Eslováquia não tem regulada a convivência de pessoas do mesmo sexo, e sua Constituição já recolhe explicitamente desde o mês passado de outubro que o casamento é uma união entre homem e mulher, apesar da AZR decidir manter a questão a respeito nesta consulta, planejada antes da mudança constitucional.

O referendo contou com o apoio da Igreja Católica, e o papa Francisco permitiu que sua foto aparecesse na campanha da AZR, que aspira reforçar seus valores conservadores em um país com 70% de população cristã. EFE