Tensão ganha ares de ultimato do Ocidente ao programa nuclear do Irã

  • Por Agencia EFE
  • 09/07/2015 18h29

Antonio Sánchez Solís e Jordi Kuhs.

Viena, 9 jul (EFE).- Os negociadores têm advertido que o tempo está acabando e consideram faltar poucas horas para saber se é possível ou não fechar um acordo, histórico, que garanta ao mundo que o Irã não construirá armas nucleares.

“Um acordo ainda é possível, estamos muito perto. Mas se as grandes e históricas decisões políticas não forem tomadas nas próximas horas, não teremos acordo”, advertiu nesta quinta-feira a chefe da diplomacia da União Europeia (UE), Federica Mogherini.

Esta espécie de ultimato foi dada após 22 meses de negociações, que permitiram ao G5+1 (formado pelos membros permanentes do Conselho de Segurança mais a Alemanha) e o Irã chegarem mais perto do que nunca de um acordo sobre a questão nuclear iraniana.

O G5+1 acredita que já não é o momento de continuar dando voltas sobre assuntos que estão sendo discutidos há meses, mas difíceis de chegar a decisões políticas.

Para Mogherini, que coordena em Viena a fase decisiva das conversas da comunidade internacional com o Irã, já não se trata de continuar negociando a linguagem ou de trabalhar em uma minuta.

A política italiana disse em entrevista concedida à emissora “CNN” que especialmente “uma das partes” tem que decidir se tem “espaço político para tomar essa decisão”.

O secretário de Estado americano, John Kerry, também alertou que a negociação tem prazo de validade.

“Não podemos esperar até mais para que se tomem estas decisões. Estamos absolutamente preparados para declarar encerrado este processo”, disse à imprensa.

Contudo, Kerry insistiu que a pressão não está no cronômetro, mas em alcançar um acordo de qualidade que seja útil para as próximas décadas.

O que está em jogo nesta negociação multilateral, nesta reta final que já dura quase duas semanas, não é um assunto menor.

Para a comunidade internacional significaria limitar o programa nuclear iraniano a tal ponto que impeça nos próximos 10 ou 15 anos o Irã de fabricar armas atômicas.

Para o Irã, representaria garantir um programa atômico civil e, ainda mais importante, ver o fim das sanções que estrangulam sua economia.

Um acordo permitiria ao Irã voltar a exportar petróleo livremente, sua maior fonte de renda, recuperar bilhões de dólares de fundos congelados no exterior e voltar a participar das redes financeiras e comerciais internacionais.

Além disso, seria um marco histórico da diplomacia ver um acordo entre Estados Unidos e Irã, dois países sem relações diplomáticas há quatro décadas e que se definem mutuamente como o “grande satã” e membro do “eixo do mal”.

A urgência mostrada por Mogherini e Kerry em fechar um acordo contrastou com a aparente calma do chefe negociador iraniano, o ministro de Relações Exteriores, Mohamad Javad Zarif.

“Todo o tempo que for necessário”, respondeu sobre quanto tempo ainda planeja ficar em Viena.

Antes, através do Twitter, Zarif tinha declarado: “Estamos trabalhando duro, mas não correndo”.

Apesar de todos os dirigentes insistirem que as reuniões estão fundamentadas no profissionalismo e no respeito, houve momentos de tensão nos últimos dias.

“Não podemos esperar que uma italiana e um iraniano discutam em um ambiente frio. Houve intercâmbios acalorados”, reconheceu hoje Mogherini.

Embora nenhum dos negociadores tenha explicado publicamente quais são os obstáculos que impedem um acordo, vazamentos indicaram que se tratam do regime de inspeções nas instalações nucleares iranianas e o ritmo do levantamento das sanções.

E a esses nós que acompanharam a negociação durante meses parece que mais problemas se somaram nos últimos dias.

Em um deles, se o levantamento das sanções deve incluir o embargo de armas, ponto em que surgiram fissuras dentro do G5+1 (EUA, China França, Reino Unido, Rússia e Alemanha).

Enquanto os Estados Unidos não querem ceder neste ponto, a Rússia pediu hoje que o embargo de armas faça parte das primeiras sanções eliminadas. EFE

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