Turquia ordena bloqueio ao Google por exibir foto de promotor assassinado

  • Por Agencia EFE
  • 06/04/2015 18h51

Istambul, 6 abr (EFE).- Um juizado turco emitiu nesta segunda-feira uma ordem de bloqueio de acesso ao Google se o site de buscas não impedir o acesso a imagens do promotor sequestrado e assassinado na terça-feira passada em Istambul.

Para evitar que o cidadão se veja exposto às imagens do promotor, fotografado por seus sequestradores com uma pistola na cabeça, tanto o Google como o canal de vídeos YouTube devem “retirar de seus conteúdos estas imagens e vídeos; se isto não for possível, se poderá impedir o acesso” a seus serviços, dita a ordem, divulgada pela emissora “CNNTürk”.

A decisão é divulgada horas depois de uma ordem similar que enumerava 166 endereços para sem bloqueados por conter a foto, entre eles alguns no Facebook, e vários outros no Twitter e no YouTube, além de jornais turcos e alguns estrangeiros.

O Facebook se comprometeu imediatamente a retirar as imagens e não sofreu cortes, enquanto o Twitter foi suspenso durante várias horas, mas voltou a operar normalmente após implementar um bloqueio, só efetivo na Turquia, das mensagens enumeradas na ordem judicial.

O YouTube também começou a impedir o acesso aos vídeos polêmicos para usuários localizados na Turquia, mas ainda segue bloqueado pelos provedores de internet turcos.

Vários internautas assinalaram nas redes sociais que implementar a ordem de “retirada de imagens” seria complicado no caso do Google, porque o site não abriga conteúdos, apenas facilita sua busca.

O promotor Mehmet Selim Kiraz foi feito refém na terça-feira passada no Palácio de Justiça de Istambul e morreu oito horas mais tarde durante a intervenção policial, da mesma forma que seus dois sequestradores, membros do grupo ultraesquerdista DHKP-C.

Um procurador de Istambul abriu na semana passada uma investigação sobre quatro grandes jornais turcos por divulgar a foto do sequestro, por considerá-la “propaganda a favor do terrorismo”. EFE