Vera: Ao dizer que ‘é assim mesmo’, Bolsonaro faz birra de criança

  • Por Jovem Pan
  • 31/07/2019 08h16 - Atualizado em 31/07/2019 10h05
Flickr/Palácio do Planalto ‘Duvido que encontrem um quilômetro de floresta desmatada na Amazônia’, diz Jair Bolsonaro Postura do presidente também prejudica pautas de sua própria gestão

Ao assumir a posição de que é “assim mesmo e não vai mudar”, como disse em entrevista ao jornal O Globo, o presidente Jair Bolsonaro (PSL) mostra estar convencido de que, mais importante do que tentar ampliar seu leque de apoio ou base política, é manter seu público mais convertido, bolsonarista raiz, que acompanha seu estilo desde que ele era deputado.

O problema é que, ao adotar essa postura, além de parecer uma birra de criança, o presidente compromete não só sua imagem e a de todo o país no âmbito nacional e internacional, mas também a agenda de projetos e reformas que seria proposta. Isso porque, com as declarações polêmicas cada vez mais frequentes, ele começa a assustar os setores mais amplos da sociedade.

Ao ampliar seus ataques, que acontecem cada vez mais sem que Bolsonaro sequer tenha sido provocado, políticos que relevavam o “estilo” do chefe do executivo em nome da agenda econômica do governo, ou que se dispunham a aceitar as falas dele já que o resto do Ministério era mais técnico, começaram a demonstrar preocupação com essa conduta explosiva de falta de obediência a Constituição e ao decoro exigido pelo cargo.

Bolsonaro se tornar um personagem folclórico tem tanto consequências internas, como a redução de seu apoio dentro do Brasil – vale lembrar que ele não ganhou as eleições com maioria absoluta nem em segundo turno – como internacionalmente, quando ele cancela, por exemplo, sua agenda oficial com o chanceler francês para aparecer em uma live cortando o cabelo. É constrangedor do ponto de visto da diplomacia e da liturgia exigida pelo cargo.

Além da imagem prejudica, projetos importantes para seu governo também correm risco, como é o caso da portaria 666, publicada pelo ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, que pode ser derrubada ou pelo menos muito alterada pelo Congresso Nacional como forma de reação, retaliação e lembrança de que o presidente não pode fazer o que quiser e nem tem todo o poder: tudo passa pela fiscalização dos parlamentares.