Vera: Apesar da pose reformista, Maia retoma velha política ao articular fundo partidário

Depois de o Senado Federal derrubar, nesta terça-feira (17), o projeto de ampliação do fundo partidário, que pretendia, sem esconder, fazer enormes retrocessos no que diz respeito ao uso do dinheiro público pelos parlamentares – como permitir compra de imóveis com o dinheiro e de passagens aéreas para terceiros -, o texto tem chance de voltar à tona e ser aprovado nesta quarta-feira (18).
Esse já era o plano do presidente da Casa, Davi Alcolumbre (DEM-AP), que já havia fechado um acordo com o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e outros parlamentares, para fazer uma votação às pressas e a toque de caixa também no Senado. O problema é que o plano falhou: após ser aprovado “escondidinho” na Câmara, a imprensa noticiou, trazendo revolta da sociedade.
Apesar disso, mesmo com a derrubada do Senado, há chances que o projeto seja retomado ainda hoje, quando chega novamente à Câmara. Lá tem muito mais gente agindo a favor desse texto e, por isso, a chance que ele consiga passar sorrateiramente, propiciando o caixa 2, a impunidade e afrouxando controles ad justiça eleitoral, é muito grande. PP, Solidariedade e PL já estão trabalhando na articulação.
Maia está aprovando o projeto. Apesar de sua pose de paladino com as reformas macro, em que ele demonstra ser reformista, apoiador da retomada da economia e se vende como um contraponto institucional ao presidente Jair Bolsonaro, na verdade, no dia a dia, ele continua querendo ser o líder do Centrão, do baixo clero, e patrocinar esse tipo de manobra que tem a cara da velha política.
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