Vera: Bolsonaro expõe Mourão à toa e provoca baixaria aos olhos do Brics
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Mesmo sendo o anfitrião da 11ª Cúpula dos Brics, que está acontecendo nesta quarta (13) e quinta-feira (14), atraindo as atenções de Rússia, Índia, China e África do Sul para o Brasil, o presidente Jair Bolsonaro (PSL) não deixa de mostrar que coisas aleatórias e irrelevantes são sua principal preocupação ao fazer política.
Apesar do discurso adotado pelo presidente de que a imprensa foca em detalhes do seu governo, e não em assuntos macro, é ele mesmo quem desvia as atenções de temas como os Brics para baixarias – o que mostra que Bolsonaro não tem nenhuma lógica na forma como conduz as questões de sua gestão.
A polêmica mais recente é a provocação, sem motivo nenhum, ao seu vice, general Hamilton Mourão, que terminou em baixaria nesta quarta-feira (13). Na terça-feira (12), Bolsonaro mostrou arrependimento na escolha do vice, dizendo que o príncipe Luiz Philippe de Orleans e Bragança, agora deputado, é quem deveria estar no cargo.
Depois, ainda mais lenha é colocada no assunto quando o também deputado Alexandre Frota revela que Bolsonaro desistiu de ter o príncipe como vice depois de ver fotos supostamente “comprometedoras” dele, em que apareceria em orgias gays e agredindo moradores de rua. O caso, obviamente, ganhou o noticiário.
Ao trazer a história a público, Bolsonaro cutucou Mourão, que estava quieto e adotando uma postura discreta dentro do governo. Depois de algumas divergências no início do mandato, o general passou a ficar mais tranquilo, colocando panos quentes em polêmicas da família – como a de Eduardo Bolsonaro e a volta do AI-5. Mourão também passou a evitar entrevistas contínuas.
Assim, Bolsonaro colocou Mourão dentro de uma questão bizarra, que não diz respeito ao seu mandato, e exatamente quando os olhos de todos os países-membros dos Brics estão voltados para o país. Vale lembrar que Mourão é uma figura respeitada, com certo papel nas relações internacionais do governo – esteve em viagens na Rússia e na China, por exemplo.
É hora de Bolsonaro parar de se dedicar à irrelevâncias – principalmente em um momento em que é anfitrião de uma cúpula de chefes de Estado.
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