Vera: Declarações desastrosas isolam Bolsonaro com parcela mínima de seu eleitorado

  • Por Jovem Pan
  • 30/07/2019 08h34 - Atualizado em 30/07/2019 09h24
Marcos Corrêa/PRPresidente precisa lembrar que tem pautas para aprovar

Nas últimas semanas, o presidente Jair Bolsonaro (PSL) vem em uma nova escalada retórica. Talvez a pior em seus sete meses de governo. Além de atacar o pai do presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e utilizar dados que vão contra documentos oficiais, recentemente ele: proferiu críticas aos nordestinos; disse que o jornalista Gleen Greenwald poderia “pegar uma cana no Brasil”; afirmou que não havia fome no país; defendeu a liberação do helicóptero da Força Aérea Brasileira (FAB) para seus parentes, entre outras que causaram perplexidade.

Essa escalada constante e perturbadora parece sem motivos, mas entre seus aliados fala-se que o presidente estaria se sentindo atacado pela reações a indicação de seu filho, o deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), para embaixador do Brasil nos Estados Unidos e, por isso, estaria agindo “instintivamente” com declarações bombásticas e violentas. Há também quem diga que, após a aprovação da reforma da Previdência em primeiro turno na Câmara dos Deputados, o presidente “relaxou” e voltou a tomar sua postura original agressiva, que foi a que o elegeu.

Qualquer que seja o motivo, vale lembrar que a nova Previdência, por exemplo, ainda precisa ser aprovada em mais um turno e no Senado Federal, para além de outras pautas que Bolsonaro vai precisar do Congresso, que está estarrecido com a falta de limites que o presidente demonstra em atirar contra tudo e todos. No Supremo Tribunal Federal (STF), o chefe do executivo também pode acabar comprando uma briga ao dar tantas declarações polêmicas, já que ele quer aprovar, junto a eles, questões como a flexibilização de porte e posse de armas e a demarcação das terras indígenas.

Toda essa série de projetos em pauta precisa passar por essas instituições, e uma escalada retórica nesses termos que Bolsonaro vem tomando pode prejudicar sua agenda. Em um governo de apenas sete meses, o presidente já queimou muitas fichas junto a setores menos radicalizados, ou com seu próprio eleitorado, que já desembarcou de suas ideias.

O próprio governador de São Paulo, João Doria, por exemplo, foi um dos críticos de sua última fala constrangedora. Dessa forma, Bolsonaro vai se isolando com uma parcela mínima de seu eleitorado, que pode ser barulhenta nas redes sociais, mas não condiz com a sociedade. Caso queira continuar com a agenda de governo, ele vai precisar fazer uma escolha: encerrar esse ciclo de declarações e voltar com a normalidade institucional.